Comparar a si mesmo com outros pode ser benéfico para a saúde

Informações sobre outras pessoas podem funcionar como alívio ou esperança, diz estudo

estadao.com.br,

08 de fevereiro de 2012 | 17h03

 Pesquisadores dizem que comparar a si mesmo com outras pessoas que sofrem de semelhante problema de saúde pode influenciar beneficamente na recuperação física e emocional. A teoria surgiu após uma síntese qualitativa feita com mais de 30 estudos sobre a relação entre as comparações sociais e a saúde. O resultado foi publicado na 'Health Psychology Review'.

"Se você já olhou para outra pessoa e pensou: 'Bom, pelo menos eu estou fazendo melhor do que ele' ou 'Uau, eu gostaria de poder fazer como ela', você não está sozinho", diz Josh Smyth, professor de saúde biocomportamental e medicina da Universidade Penn State, na Pensilvânia. "Este fenômeno, proposto pela primeira vez na década de 1950, é comum na vida diária. Quando não temos certeza de como estamos fazendo, podemos reduzir a incerteza, obtendo informações de outras pessoas com doenças crônicas que estão particularmente propensas a se comparar".

Com a ajuda de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Syracuse e da Universidade do Iowa, Josh Smyth descobriu que pessoas que se comparam "para baixo" com outras que apresentam pior situação, se mostram menos deprimidas do que as pessoas que comparam "para cima " com quem está em melhor condição. Ou seja: comparações negativas estão, por muitas vezes, associadas aos sentimentos positivos imediatos, tais como alívio e gratidão.

Por outro lado, segundo o estudo, as pessoas que comparam suas vidas positivamente tendem a seguir medidas físicas de saúde mais eficazes e se mostram esperançosas sobre a capacidade de melhorar.

Mas qual seria a razão dessa diferença? De acordo com Danielle Arigó, estudante de graduação da Universidade de Syracuse University, é exatamente isso que os pesquisadores precisam entender antes que possam ajudar as pessoas com as comparações.

"Nós sabemos agora que esse comportamento ocorre qualquer maneira", disse ela. "Alguém está fazendo melhor do que você é? Então isso pode ser inspirador ou deprimente. Alguém está fazendo pior? Isso pode lhe dar algum alívio, ou pode fazê-lo pensar sobre sua própria situação. O problema é que, embora nós não compreendamos muito bem como funcionam essas comparações, elas são frequentemente usadas em intervenções de saúde com casos de doenças crônicas".

De acordo com o pesquisador Josh Smyth, essa pesquisa identifica lacunas específicas dentro do conhecimento atual sobre as comparações sociais, incluindo os fatores que determinam se uma pessoa se concentra sobre as semelhanças ou as diferenças entre eles e os outros. "No futuro, tal informação poderá ajudar a melhorar os esforços da comunicação voltada para a saúde", disse ele.

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