Polícia Civil
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Conclusão da polícia 'não condiz' com prova, diz cervejaria acusada de contaminação em BH

A empresa pretende atribuir a fornecedores a possibilidade de responsabilidade na contaminação das 29 pessoas que consumiram a cerveja Belorizontina. Sete entre os contaminados morreram

Leonardo Augusto, Especial para O Estado de São Paulo

10 de junho de 2020 | 22h16

BELO HORIZONTE - Um dia após ter dez diretores e funcionários indiciados pela Polícia Civil de Minas pela contaminação de 29 pessoas que consumiram a cerveja Belorizontina, a Backer, fabricante da bebida, afirmou nesta quarta-feira, 10, que a conclusão das investigações "não condiz" com as provas coletadas pelos policiais. A empresa busca atribuir a fornecedores a possibilidade de responsabilidade sobre os consumidores. Das 29 pessoas contaminadas, sete morreram.

Sem a presença dos sócios da empresa, que estão entre os indiciados, advogados da cervejaria Backer, em entrevista coletiva na sede da empresa, na região oeste da capital mineira, criticaram o relatório final da polícia, que indiciou ainda uma testemunha no processo, por mentir em depoimento.

As outras denúncias foram por homicídio culposo (sem intenção de matar), lesão corporal culposa e contaminação de produto alimentício culposa, para sete funcionários da empresa, e por não realização de recall (recolhimento no mercado) e manutenção de estoque e vendas de produtos que possam provocar intoxicação, no caso dos três integrantes do comando da Backer.

Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Flávio Grossi, não houve indiciamento do comando da empresa por homicídio porque não houve comprovação, ao longo do inquérito, de que a cúpula da cervejaria tenha atuado na linha de produção da fábrica.  O inquérito apontou que a contaminação da bebida ocorreu porque a substância dietilenoglicol, altamente tóxica e utilizada para resfriamento de serpentinas que passavam por fora do tanque usado no processo de produção da cerveja, entrava em contato com a bebida por fissuras.

Marcos Aurélio de Souza Santos, um dos advogados da empresa, afirmou que o tanque que apresentou problema era novo, com entrada em funcionamento em setembro de 2019. Os primeiros casos oficialmente registrados de contaminação pela Belorizontina são de dezembro. O problema, ainda segundo o advogado, foi em uma solda no tanque, fornecido por uma empresa gaúcha.

O advogado disse ainda, seguindo o que a Backer mantém desde o início das investigações, que a empresa nunca comprou dietilenoglicol e, sim, monoetilenoglicol. Ambas substâncias são utilizadas em processos de resfriamento. 

O Instituto Médico-Legal (IML), também ao longo de toda a investigação, já informou que as duas substâncias são altamente tóxicas. O monoetilenoglicol, conforme o representante da Backer, era adquirido por uma empresa de São Paulo. "Posso afirmar categoricamente que a conclusão do inquérito não condiz com as provas carreadas pela autoridade policial de dentro da empresa", ressaltou Ramos. 

Sobre o processo de controle de qualidade da Backer, e a possibilidade de evitar a saída de um produto contaminado, outro advogado da empresa, Estevão Nejm, afirmou que esse trabalho é feito para apurar, por exemplo, se há um gosto diferente no produto.  Os advogados da Backer rechaçaram a denúncia contra o comando da empresa por não ter sido realizado o recall dos produtos contaminados. Os representantes da empresa disseram que o procedimento foi tomado e que isso pode ser provado nos autos. O delegado responsável pelas investigações, no anúncio dos indiciamentos, na terça-feira, 9, afirmou que isso não foi feito pela empresa.

Os representantes da empresa disseram ainda que a cervejaria vai cumprir determinação da Justiça e vai pagar auxílio emergencial a vítimas da intoxicação pela Belorizontina, e que isso não ocorreu ainda porque a própria Justiça não definiu como será o procedimento. Até o momento, segundo os advogados, cinco pessoas tiveram reconhecimento da Justiça como afetadas pelo consumo da Belorizontina.

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