Conferência da aids termina nesta sexta pedindo mais direitos e prevenção

Desde domingo, países discutem em Viena temas como gel vaginal, situação nas prisões e falta de verba

Efe

23 Julho 2010 | 10h49

VIENA - Após seis dias de encontro, 248 sessões e centenas de atividades paralelas, a Conferência Internacional Aids 2010 termina nesta sexta-feira, 23, com destaque para os direitos humanos, a prevenção e a universalização do tratamento aos portadores do HIV.

Mais de 16 mil delegados, 850 especialistas e 95 ONGs debateram desde o último domingo as estratégias para frear a disseminação da doença, que afeta 33 milhões de pessoas no mundo todo. A cada dia, 7,4 mil pessoas são infectadas pelo vírus que deixou 2 milhões de mortos em 2008.

"A conferência é um começo para discutir, enfocar e enfatizar o Leste Europeu, a Ásia Central e os problemas dessas regiões", disse Brigitte Schmied, co-presidente do encontro, em relação à importância dada às partes do mundo onde a doença se expande com maior rapidez.

Para Brigitte, a conferência, que foi "muito viva", trabalhou três pontos essenciais: o acesso ao tratamento universal para todos os infectados pelo HIV, a importância dos direitos humanos na luta contra a aids e a melhora na prevenção.

Em relação aos direitos humanos, a conferência teve como documento oficial a chamada Declaração de Viena, na qual se adverte que a criminalização e a repressão como estratégias de luta contra a droga e a toxicomania estão "alimentando" a epidemia do HIV.

Nesse sentido, a co-presidente aposta em políticas de redução de danos, como a mudança de seringas, as drogas de substituição e, no geral, uma aproximação científica, e não penal, do tema.

No encerramento da conferência, a declaração foi assinada por 12.725 pessoas.

Por sua vez, o presidente do encontro, Julio Montaner, alertou sobre a queda prevista das contribuições ao Fundo Mundial Contra a Aids pelos países industrializados.

Montaner acusou o G8 (países mais ricos e Rússia) de "traição" pela previsível queda das contribuições. "Quando faltou dinheiro para pagar os banqueiros ou a indústria automotiva, eles foram ajudados em seguida, porque são amigos das empresas. Também houve fundos para Wall Street e para o derrame de petróleo no Golfo do México", disse o médico canadense de origem argentina.

Foram os países mais ricos os que encabeçaram a criação do Fundo Mundial Contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, que no período 2008-2010 contava com US$ 10 bilhões para combater o HIV. Para os anos 2011 a 2013, o fundo pede entre US$ 13 milhões e 20 milhões.

Manfred Nowak, relator especial da ONU sobre tortura, se referiu nesta sexta à falta de vontade política de muitos governos para resolver o grave problema da aids nas prisões.

As más condições de vida nos centros penitenciários de muitos países, com carência de assistência médica, seringas e preservativos, faz com que a taxa de prevalência da aids seja muito elevada.

Nowak lembrou que 30 milhões de pessoas entram e saem das prisões a cada ano, muitas delas infectadas com o HIV, o que "não é só um problema de saúde nas prisões, mas de saúde pública" em geral. "Elas estão privadas de liberdade, mas não de direitos humanos", lembrou o especialista.

A conferência de Viena entrega o testemunho da organização deste evento bienal a Washington, que sediará a reunião sobre a doença em 2012.

Após o fim do fórum, o professor de medicina ugandense Elly Katabira assume a Presidência da Sociedade Internacional da Aids até 2012.

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