Conferência em Viena quer garantir direitos de portadores da aids

Evento na Áustria começa neste domingo e vai até o dia 23 com participação de 25 mil especialistas

Efe

16 Julho 2010 | 14h27

VIENA - "Direitos aqui e agora": essa é a exigência da Conferência Internacional Aids 2010, que começa neste domingo, em Viena, na Áustria, com participação de 25 mil especialistas.

Além de falar de prevenção e tratamento, o encontro terá como objetivo denunciar a discriminação e a criminalização dos grupos de maior risco.

Cientistas, políticos, religiosos, voluntários, artistas, membros da realeza e representantes de marcas de preservativos passarão por Viena até o dia 23 para chamar a atenção sobre uma doença que tirou 25 milhões de vidas e que, em 2008, atingia mais de 33 milhões de pessoas, segundo a ONU.

A reunião de Viena pretende, portanto, lembrar que, apesar de grandes avanços no tratamento e, em menor escala, na prevenção, ainda há muito a fazer.

Os números da aids continuam alarmantes. Só em 2008, 2,7 milhões de pessoas se infectaram com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), 97% deles em países pobres ou em desenvolvimento. E, no mundo todo, 11 milhões de doentes não têm acesso aos tratamentos antirretrovirais.

Entretanto, se a conferência quer chamar a atenção sobre a parte médica, outro dos objetivos essenciais é exigir mais direitos e proteção para os doentes e pessoas suscetíveis de contrair a doença.

"A conferência destacará que a proteção aos direitos humanos é um requisito fundamental para uma resposta efetiva ao HIV", destaca a declaração dos objetivos do evento.

"Já é evidente que o estigma, a discriminação e a violação de direitos, assim como políticas punitivas ou equivocadas para grupos de população mais atingidos pelo HIV são grandes obstáculos para uma resposta efetiva ao HIV", acrescenta.

De fato, um dos documentos de trabalho da conferência, a chamada Declaração de Viena, afirma que "a penalização dos consumidores de drogas ilícitas está fomentando a epidemia de HIV com consequências sociais e de saúde extremamente negativas. É necessária uma completa reorientação da política".

A declaração, redigida por um comitê de especialistas que conta com a Nobel de Medicina Françoise Barré-Sinoussi, denuncia que o atual enfoque repressivo na luta contra a toxicomania não só fracassou, mas está contribuindo para a expansão do contágio.

Os redatores do documento chegam a pedir ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que "implemente urgentemente medidas que assegurem que o sistema das Nações Unidas (...) fale com uma só voz em apoio à descriminalização dos consumidores de drogas".

"Muitos de nós, que trabalhamos em pesquisa e tratamento da aids, enfrentamos a cada dia os impactos devastadores das políticas mal informadas sobre drogas", assegurou o médico argentino Julio Montaner, presidente da conferência.

Nesse sentido, o evento quer insistir especialmente na situação do Leste Europeu e da Ásia Central, onde a aids está avançando a um ritmo preocupante, devido sobretudo ao uso de drogas injetáveis e à sua excessiva criminalização.

A XVIII Conferência da Aids quer, assim, fazer avançar o debate que começou na última reunião desse tipo, no México, em 2008, e para tanto contará com importantes políticos e estrelas da música e do cinema.

Esta edição do evento - 2010 é data que a ONU fixou, há quatro anos, como limite para assegurar o acesso universal aos tratamentos contra o HIV - quer destacar que a batalha ainda não acabou, e a crise econômica não é desculpa para deixar de investir na luta contra a aids.

A Conferência de Viena é organizada pela Sociedade Internacional da Aids, com a colaboração da Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre a doença, e das autoridades austríacas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.