Conferência sobre a aids vê falhas de países ricos no combate à doença

Presidente da Conferência sobre a Aids 2010, que acontece em Viena, diz que avanços ainda dependem de 'vontade política'

Veronika Oleksyn, da Associated Press / VIENA,

18 Julho 2010 | 17h41

Falta vontade política aos líderes da nações ricas para garantir a todos os infectados pelo vírus da aids um tratamento adequado. O diagnóstico é do presidente da conferência global para o combate à doença, Julio Montaner, para quem os líderes do G8 (grupo das sete nações mais ricas e a Rússia) falharam em promover o combate à doença.

 

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Em entrevista coletiva durante a abertura da Conferência sobre a Aids 2010, neste domingo, 18, em Viena, Montaner previu consequências desastrosas para a omissão. "Este é um déficit muito sério", disse ele. "Se nos atermos ao fato de que hoje há tratamentos que funcionam, o que nós precisamos é de vontade política para avançarmos em direção ao acesso universal."

 

Os comentários sublinham um dos tópicos chaves do encontro, que irá durar uma semana e promete reunir cerca de 20 mil especialistas no tema: a necessidade de criação de um impulso político para as próximas gerações.

 

Refletindo a natureza emotiva do debatem, manifestantes que carregavam faixas e gritavam palavras de ordem como "promessas não cumpridas matam", "mostrem-nos o dinheiro" e "tratamento para as pessoas" atrasaram a abertura do evento.

 

Em um vídeo endereçado aos participantes, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu empenho na questão. "O acesso universal deve continuar como nossa meta central, (por meio do) acesso aos medicamentos, prevenção ao HIV, tratamento, cuidado e apoio", disse Ban

 

Entre as questões que serão discutidas pelos participantes até a próxima sexta-feira está a descriminalização dos usuários de drogas, assim como o crescimento da epidemia de aids na Europa Oriental e Ásia Central.

 

Negligência

 

Montaner também acusou os governos de alguns países do leste europeu de indiferença e classificou a abstenção de líderes desses países como "irresponsável" e "negligência criminosa".

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo conviviam com o HIV em 2008. Embora o número de mortes tenha caído de 2,2 milhões em 2004 para 2 milhões em 2008, cerca de 2,7 milhões de pessoas ainda são infectadas todos os anos.

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