Congresso de odontologia traz boas novidades

O avanço tecnológico tem facilitado diversas áreas da saúde e não está sendo diferente com a Odontologia. São técnicas que prometem aliviar a dor, acabar com incômodos e garantem, inclusive, maior precisão cirúrgica. Essas novidades, que, em alguns casos, serão colocadas à disposição dos profissionais ainda neste ano, foram apresentadas nesta semana durante o 24° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, considerado o maior evento do segmento na América Latina e um dos mais importantes do mundo. A área de implantodontia é uma das que tem avançado significativamente. Uma das técnicas que serão apresentadas no congresso é a cirurgia de implante dentário na maquete. O procedimento começa pela realização de uma tomografia computadorizada da carga dentária do paciente. Essas informações são repassadas a um computador, que irá reproduzir de maneira fiel o maxilar da pessoa em resina, através de uma "impressora" tridimensional. "Esta estrutura é a cópia fiel da área óssea", garante Rodolfo Candia Jr., diretor científico da Conexão Sistemas de Prótese, empresa que detém a técnica. O uso desse protótipo garante maior precisão à cirurgia de implantes dentários. O profissional que opta pela técnica recebe em seu consultório, além da maquete, um kit para a realização da cirurgia. O protótipo tem a reprodução exata de detalhes da boca, como dentes, gengiva e ossos. Primeiramente, é simulada a operação na estrutura de resina e, a partir disso, cria-se um guia para a realização do ato cirúrgico. "É uma forma de a pessoa também decidir se quer ou não fazer o implante. Ela vai participar da decisão junto com o profissional", explica Candia Jr. Através da cirurgia na maquete, antes mesmo de anestesiar o paciente, o dentista vai ter noção de como ficará o implante, como será a reabilitação e tudo mais o que for necessário no procedimento. Outra vantagem para o paciente, verifica Candia Jr., é o fato de a pessoa ficar ciente do passo a passo do processo. Pino de titânio Feita a simulação na estrutura de resina, o profissional dá início ao implante. A primeira etapa do "novo dente" é um pino de titânio. Esse material é fixado na mandíbula e, na presença de perda óssea, o ponto de apoio poderá ser o osso zigomático ou malar (localizado na região que forma a maçã do rosto). "Não é em todos os casos que usamos enxerto. Depende muito do paciente" informa Candia Jr. Quando ocorre de o pino não poder ser fixado na área do maxilar, sua estrutura é um pouco diferenciada. Ele terá um formato mais alongado, para que possa alcançar o osso de apoio. Mas nada que afete muito a estética do sorriso. Por cima desse pino virão outras camadas, sendo a última, um dente confeccionado em porcelana. Outra preocupação que o paciente não precisa ter é quanto à aceitação do pino pelo organismo. O material é biocompatível e esterilizado. A técnica da cirurgia na maquete estará disponível para uso dos profissionais até o final deste semestre. Por ser um serviço totalmente computadorizado, garante maior aderência do implante à estrutura óssea, sem risco de deslocamento no futuro. Além disso, a previsão de sucesso da cirurgia é de praticamente 100%. Para quem precisa de enxerto A perda óssea ocorre com freqüência em mulheres, mais vulneráveis à osteoporose. Hoje, o profissional da área de saúde encontra várias possibilidades. Uma delas, desenvolvida no Brasil, é comercializada pela empresa JHS, com sede em Minas Gerais. A técnica é a hidroxiapatita porosa. A substância é facilmente encontrada com formulações à base de casca do ovo ou de corais, por exemplo. O diferencial do produto mineiro é que ele é feito a partir de carbonato de cálcio, encontrado no pó de mármore. Segundo Sheila Máximo, diretora-presidente da JHS, o HP91, como é batizado o produto, assume, após reação no local do enxerto, uma característica do osso medular, que é mais flexível. Isso garante maior sucesso ao tratamento. Dependendo do caso, em 90 dias, 80% do que o médico colocou já estará convertido em neo-osso e, em um ano e meio, terá virado osso, informa. "Além disso, o material é totalmente inorgânico e praticamente não tem rejeição", afirma. O HP91 pode ser usado também na coluna, joelhos, quadril, testa e caixa craniana. Adeus ao barulho do motorzinho Diversas pessoas têm medo de ir ao dentista por conta do barulho causado pelo motorzinho. O som estridente gera aflição nos pacientes. Com o objetivo de amenizar esse incômodo, a empresa suíça Bien-Air lançou o Bora L, aparelho que, pelo material utilizado em sua fabricação, acaba com o velho conhecido barulho. O produto é bastante sofisticado e possui rolamentos de cerâmica. O local onde o dentista segura é confeccionado em pérola. Apesar da alta tecnologia implementada e de todo o rigor do material utilizado, Paulo von Scala, representante da Swiss Cam, responsável pela comercialização do produto no Brasil, garante que o manuseio do equipamento é fácil. "Sem contar que a durabilidade é muito maior", diz. Além de ser leve e silencioso, o Bora L conta com luz com focos diferenciados e três sprays de água. A luz serve para diminuir os pontos de sombra nos dentes quando o profissional estiver fazendo o tratamento, facilitando o trabalho. Agora, quem fugia dos consultórios por causa do som do motorzinho não terá mais desculpas.

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