Andreas Solaro/AFP
Andreas Solaro/AFP

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

É hora de usar máscara? Veja medidas para se proteger contra o coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Uso da máscara se tornou obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 13h54
Atualizado 07 de maio de 2020 | 08h23

SÃO PAULO - Lavar as mãos e cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar são medidas que ajudam a evitar a propagação do novo coronavírus, o Covid-19. Infectologistas ouvidos pelo Estado recomendaram ainda que a população não entre em pânico e que, em caso de doenças respiratórias, só busque atendimento médico se sintomas como febre, tosse e coriza persistirem. Nesta quinta-feira, 7, o uso de máscaras passou a ser obrigatório em todo o Estado de São Paulo

"Neste momento, é importante reforçar a necessidade de higienização das mãos, porque o vírus é transmitido pelo contato. O indivíduo que está tossindo ou espirrando vai contaminar superfícies ao usar o teclado, mouse, torneira. Todas as superfícies ficam contaminadas. O álcool ou a lavagem das mãos eliminam o vírus. As pessoas devem higienizar as mãos não só para se proteger do coronavírus, mas de outras infecções virais", explica Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, gerente do Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil, que também é supervisor do ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Oliveira Júnior diz que a avaliação dos casos confirmados e artigos científicos apontaram que, para a maioria dos pacientes, a doença não vai evoluir para quadros graves.

"Cerca de 80% dos casos têm formas leves. São pessoas que podem ser tratadas sem necessidade de internação. Esse caso consegue mostrar para a população dessa faceta da doença. A grande maioria das pessoas se recupera e tem quadros leves, que podem ser tratados em casa com o afastamento social para reduzir a possibilidade de contato com pessoas do trabalho e em situações sociais."

O restante corresponde a ocorrências graves, das quais 6% se referem aos casos muito graves - quando o paciente precisa ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ele diz que, embora esse seja um aspecto positivo, tendo em vista que esses pacientes não evoluem para formas graves, essa característica facilita a propagação da doença.

"O lado ruim é que as pessoas que são pouco sintomáticas, normalmente, não ficam em casa, elas circulam e são as pessoas que têm o maior risco de transmitir a doença e causar surtos familiares, que têm sido muito descritos na China, ou vão para o trabalho, fazem compras. Além disso, tem uma porcentagem que ainda não sabemos quanto é, de pacientes que não manifestam nenhum sintoma, mas podem transmitir a doença."

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Busca por atendimento médico

Coordenador do centro de infectologia do Hospital Sírio-Libanês e reitor da Faculdade de Medicina do ABC, o infectologista David Uip diz que as pessoas que apresentam sintomas leves de doenças respiratórias devem evitar sobrecarregar os hospitais.

"Se todo mundo que tossir ou espirrar for ao hospital, a gente vai ter um problema que não é possível de dar conta nem no Brasil nem no mundo. Quem estiver com sintomas leves, deve ficar em casa. Ao tossir ou espirrar, deve cobrir a boca e o nariz, de preferência, com lenço descartável."

Uip também explicou quando, com base nos sintomas, as pessoas devem buscar auxílio médico. "Se tiver uma febre que perdura, que não some em 24 ou 48 horas ou desaparece e reaparece, e desconforto respiratório."

O uso das máscaras passou a ser obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7, e a medida também já foi adotada em outros municípios brasileiros. A máscara, mesmo a caseira, segundo especialistas, é mais um item que ajuda na proteção contra a doença.

A infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que é importante que as instituições tenham um diálogo franco com a população e reforça que os hospitais devem receber os casos graves.

"É preciso ter seriedade na comunicação com a população. Tem de explicar o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quando se deve ficar em casa." Leia a entrevista completa aqui.

Como evitar o coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir o risco de contaminação e transmissão do vírus.

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Ficar em casa quando estiver doente
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.