Conheça os aplicativos mais famosos

Eles são campeões de downloads e prometem melhorar a qualidade de vida; saiba como tirar proveito

Wanise Martinez, estadao.com.br

10 de dezembro de 2011 | 17h00

 Para dormir com os anjos

O sucesso dos aplicativos que prometem um sono dos anjos não é à toa: só em São Paulo, um em cada quatro moradores têm dificuldades para dormir, mostra uma pesquisa recente feita pela Universidade Federal de São Paulo. Opções não faltam: há desde os que simplesmente oferecem uma trilha sonora agradável até os que ensinam a fazer auto-hipnose.

Para os especialistas, não há mal nenhum em experimentar os apps, mas eles não substituem o médico em hipótese nenhuma. "De modo geral, os aplicativos voltados para melhorar a qualidade do sono não são validados cientificamente, ou seja, nada comprova que funcionem. A pessoa pode até se sentir bem ao ouvir uma música relaxante, mas não é isso que garante um sono melhor", explica a pneumologista Luciana Palombini, do Instituto do Sono, em São Paulo. Somente um médico pode avaliar a quantidade e a qualidade do sono, frisa ela. "No caso dos que ensinam a auto-hipnose para dormir bem, não há validação médica, portanto não são indicados", ressalva ela.

O Sleep Cycle alarm clock, disponível para iPhone, iPod touch e iPad, é um dos mais conhecidos e sofisticados. Colocado ao lado do travesseiro, ele promete acompanhar o sono e tocar no momento adequado, quando a frequência está mais leve e o indivíduo 'pronto' para acordar.

"O aplicativo identifica, ainda que indiretamente, os estágios do sono a partir da movimentação do corpo. Como ele foca o momento em que o cérebro está mais ativo, facilita a hora de acordar, mas isso não é garantia de um sono de qualidade", ressalva Palombini. "Além disso não é indicado deixar um aparelho ligado tão próximo enquanto se dorme, pois, de maneira geral, pode atrapalhar o sono", completa.

Quanto aos que oferecem músicas calmas, não há contraindicação. "Se a pessoa se sente bem, melhor para ela. Só não dá para ficar dependente daquele aplicativo para dormir. O sono é um processo natural", lembra a especialista. 

Sleep Cycle alarm clock: http://www.sleepcycle.com/

http://itunes.apple.com/br/app/sleep-cycle-alarm-clock/id320606217?mt=8

Para acompanhar o ciclo da mulher

O celular tomou o lugar do velho bloquinho onde a mulher registrava seu ciclo. "Os dispositivos que auxiliam a anotar dados sobre o calendário menstrual, como os dias em que ocorrem cólicas e enxaqueca, são uma ótima opção para facilitar a vida e ainda conseguir um panorama detalhado dos sintomas do mês", avalia Rosa Maria Neme, ginecologista do hospital Albert Einstein.

O Period Tracker, compatível com iPhone, iPod Touch e iPad, figura entre os apps favoritos das usuárias. Ele permite marcar os dias da menstruação e apontar quais sintomas a pessoa teve durante o período. Também há espaço para anotar os dias em que aconteceram relações sexuais.

Com esses dados, é formado um gráfico mensal que apresenta informações relevantes, como o período fértil. "É importante que a mulher saiba que existe esse recurso e o utilize bem. Anote tudo o que puder sobre seu ciclo e leve para o médico, para fazer um acompanhamento mais detalhado. Isso pode ajudar, inclusive, a sanar problemas de saúde", diz a ginecologista.

Para as grávidas, aplicativos servem de guia durante os nove meses da gestação. Aqui, no entanto, é preciso tomar precauções na hora de utilizar. "Recomendo mostrar para o médico qual aplicativo a pessoa está pensando em usar. A gravidez exige muitos cuidados e não dá para depender só de um app para verificar a saúde da mãe e do bebê", explica.

Period Tracker:

http://itunes.apple.com/br/app/period-tracker-lite/id330376830?mt=8 (português)

http://itunes.apple.com/us/app/period-tracker-deluxe/id289084315?mt=8

 

Para o coração bater mais e melhor

Os apps que monitoram a frequência cardíaca estão entre os que mais requerem acompanhamento profissional. "A forma correta de usar esses aplicativos é mostrando para o médico", diz Sérgio Timerman, cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (InCor). Segundo ele, não há nada errado em querer descobrir mais sobre a frequência cardíaca, mas usar um dispositivo para acompanhar os próprios batimentos só serve como ferramenta de prevenção.

"O profissional da área vai saber avaliar com clareza os dados apontados pelo aparelho, para então explicar para o paciente o que eles significam", diz. "O que não pode ocorrer é a pessoa retardar um tratamento porque o ritmo mostrado pelo aplicativo sugere que está tudo bem", explica o cardiologista.

A maior novidade entre os apps com esse intuito é o MyCalmBeat, disponível para iPhone, iPad, iPod touch, Android e BlackBerry. Ele traz um monitor de batimento cardíaco que deve ser colocado na orelha para acompanhar a frequência do coração e da respiração da pessoa. A tarefa do aplicativo é diminuir a velocidade da respiração até que ela chegue ao ideal. Quando isso acontece, o nível de estresse também deve cair e o usuário fica se sentindo mais relaxado. De acordo com os criadores do aplicativo, o bem-estar é garantido se for usado uma vez ao dia por 10 minutos ou então por mais tempo antes de um evento que será supostamente estressante.

"O MyCalmBeat não pode ser visto como um tratamento, pois usá-lo não quer dizer que vá funcionar e acabar com o estresse", alerta Sérgio Timerman. "Um app pode ser muito útil, mas também tende a se mostrar uma arma, por isso é necessário que se busquem os selos, a credibilidade. Ou seja, empresas de confiança que lancem aplicativos bons", recomenda.  

MyCalmBeat: https://www.mybrainsolutions.com/mycalmbeat

http://itunes.apple.com/br/app/mycalmbeat/id333216485?mt=8

Para entrar em forma

Os aplicativos que ajudam a se exercitar estão entre os campeões de downloads. Só o Endomondo tem seis milhões de usuários ativos - 1,5% deles só no Brasil. Disponível para iPhone, iPad e Android, ele funciona por GPS e monitora percursos, calculando velocidade e distância percorrida.

Mas afinal, dá para aposentar o instrutor e depender somente de um dispositivo, que pode ser usado no celular ou num iPod? "Não dá para negar que um aplicativo é uma ferramenta muito útil hoje em dia", explica o Turíbio Leite de Barros Neto, fisiologista do Esporte Clube Pinheiros e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. "Mas é preciso ter bom senso e saber usá-lo apenas como complemento à orientação médica e não como única solução", frisa.

De acordo com a dinamarquesa Mette Lykke, cofundadora do Endomondo, o dispositivo foi criado para estimular a prática de esportes entre as pessoas, mas não passou por uma aprovação médica quando foi desenvolvido. "Ele foi idealizado pensando naquilo que nós, fundadores esportistas, queríamos na hora do exercício, que é interatividade e estímulo", explica Lykke.

Para Barros Neto, o risco está justamente na falta de orientação: "Vejo riscos de instruções inadequadas e falta de limites. Essa ferramenta é boa para mensurar, porém é necessário ter uma orientação. Nosso corpo é frágil e a competição às vezes ultrapassa o ideal", diz o especialista.

Na hora de escolher um aplicativo, aqui também é importante ficar de olho no selo de qualidade, ou seja, se ele tem procedência ligada a entidades de saúde confiáveis.

Endomondo: http://www.endomondo.com

https://market.android.com/details?id=com.endomondo.android.pro

 

Para fazer as pazes com a balança

Para quem vive na luta contra os ponteiros, os aplicativos que contam calorias podem ser uma mão na roda. Mas a maioria desses dispositivos traz dados quantitativos, isto é, mostram os valores dos alimentos, mas não ensinam a comer de um jeito saudável.

"É preciso tomar cuidado com os farsantes que divulgam informações erradas e incentivam o consumo do que não é saudável", alerta Vanderlí Marchiori, nutricionista e colaboradora da Associação Paulista de Nutrição. "O ideal é procurar um médico e apresentar o aplicativo antes de seguir uma dieta. A ferramenta deve ser complementar ao tratamento no consultório", orienta ela.

O NutraBem, com 21 mil downloads feitos desde seu lançamento, em 2010, tem conteúdo sério e bem estruturado, segundo Marchiori. "Mas mesmo assim não dispensa o acompanhamento médico", diz ela.

Segundo Carlos Melo, desenvolvedor da LiveTouch, empresa criadora do NutraBem, esse app foi feito com orientação de especialistas do Instituto Nutra e Vida. "O conteúdo foi todo proposto pela equipe de nutricionistas para garantir a credibilidade", explica.

Compatível com iPhone, iPod touch e iPad, o NutraBem calcula o índice de massa corporal (IMC) da pessoa e também analisa o perfil enquanto consumidora. Um dos objetivos principais do app é registrar diariamente as refeições para que seja adotado o melhor método de controle de peso e alimentação ideal.

NutraBem: http://itunes.apple.com/br/app/nutrabem/

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