AP / Silvia Izquierdo
AP / Silvia Izquierdo

Conselho de Medicina do Rio aprova critérios para internação em UTI

Decisão sobre quem será levado para centros de emergência será dos médicos; entidades vêm discutindo protocolos de atendimento de pacientes graves

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 21h53

  

RIO – O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) aprovou nesta terça-feira, 5, em reunião virtual, um conjunto de recomendações que aponta parâmetros para orientar a internação de pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs). O alvo do documento, preparado pela Câmara Técnica de Intensivismo do órgão e aprovado, com pequenas alterações, pelos conselheiros, são profissionais pouco experientes que atuam no combate à covid-19, informou o presidente do colegiado, Sylvio Provenzano. 

Segundo ele, a decisão sobre quem irá para CTIs será sempre dos médicos. O Cremerj apenas expediu um conjunto de orientações, que deve ser publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira, 7. 

O documento aconselhará a internação de pacientes que apresentem, por exemplo, má perfusão tissular (sinais de que o fluxo sanguíneo na região afetada é insuficiente); quadros de choque; alteração de exames dos marcadores inflamatórios; sinais de tromboembolismo; alteração da função renal; alteração da função de oxigênio, mesmo com cateter de oxigênio nas narinas. Serão usados critérios internacionais, com base no Sequential Organ Failure Assessment (SOFA), que avalia com pontos o estado de alguns órgãos, como coração e pulmões. 

Pontuações mais altas reduzem as chances dos pacientes. Alterações pulmonares de mais de 50% e com 48 horas serão motivo para uso de respirador. “E uma vez necessitando de entubação endotraquial e ventilação artificial, o paciente vai precisar ficar em um leito de UTI. Aí o colega não deve deixar de solicitar, e o quanto antes esse doente for colocado na rede, para uma transferência, melhor para ele”, disse Provenzano. 

O Cremerj não abordou critérios de escolha entre pacientes para casos nos quais faltarem leitos de UTI. Segundo ele, o órgão só cuida de parâmetros para internação – cabe ao Estado prover leitos. Ele afirmou que escolhas desse tipo são feitas em todo o mundo, como parte da rotina médica. 

“Se tenho um paciente com câncer avançado de pulmão, que mesmo com respirador a opção de tratamento para ele é a mínima possível, ele pode ficar monitorado em uma enfermaria, com toda a sedação, todo o conforto, para não ter sofrimento. Mas o leito de CTI será ocupado por outro.” 

A Secretaria de Saúde fluminense confirmou que tem discutido documento com orientações para uso de UTIs, em conjunto com vários órgãos. A pasta disse ainda manter discussão sobre o assunto com o Cremerj e analisar protocolos da Espanha e dos EUA

Uma versão do documento da SES, que circulou na semana passada, apontava como critérios para ocupar leitos de UTI o funcionamento de órgãos segundo o SOFA; doenças preexistentes, como diabete, obesidade e hipertensão; idade; e a ordem de solicitação. Carlos André Uehara, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, disse que, no documento prévio, a idade seria só um critério de desempate. “Nossa posição é a de que a idade não deveria ser critério para nada.” 

Entre os conselhos e entidades brasileiros que também se manifestaram sobre o assunto – como a Associação de Medicina Intensiva Brasileira e o Conselho de Medicina de Pernambuco –, há o entendimento de priorizar os pacientes graves com maior chance de sobrevivência e, em segundo caso, os que têm maior expectativa de anos de vida. / COLABORARAM PRISCILA MENGUE, DE SÃO PAULO, e FABIO GRELLET

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