Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Conselho de secretários defende que redução do intervalo entre doses da Pfizer ocorra em setembro

Órgão diz não ter sido comunicado pelo Ministério da Saúde da mudança na estratégia de imunização

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2021 | 20h13
Atualizado 27 de julho de 2021 | 21h24

SÃO PAULO - O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) disse nesta terça-feira, 27, que não foi consultado sobre a decisão do Ministério da Saúde de reduzir o intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech, e defendeu que a mudança ocorra somente em setembro.

Nesta segunda-feira, 26, o órgão federal anunciou que encurtará de 12 semanas para 21 dias o intervalo entre as aplicações da vacina contra a covid-19 fabricadas pela Pfizer. A justificativa do ministério é a de que a maior regularidade nas entregas e o volume de milhões de doses esperadas para os próximos meses permite a antecipação o cronograma.

De acordo com a assessoria do Conass, no entanto, o ministério comunicou sua decisão à imprensa "sem ter pactuado" a medida com Estados e municípios. O próprio órgão dos secretários ficou sabendo da medida por meio dos veículos de imprensa.

O conselho argumenta que a redução do intervalo só deva ser feita após toda a população brasileira adulta tomar a primeira dose do imunizante contra a covid-19, o que deve acontecer somente em setembro. Embora o ministério não tenha anunciado ainda a data que a redução será adotada feita, a expectativa é que isso possa ocorrer ainda em agosto.

Questionado sobre a reclamação do Conass da falta de diálogo com os Estados e municípios sobre a medida, o Ministério da Saúde afirmou que analisa, "junto com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, o melhor momento para iniciar a redução do intervalo". A pasta afirmou que "o ajuste não prejudicará a manutenção do ritmo acelerado de vacinação no País e acompanhará o cronograma de recebimento de doses para garantir que não haja atraso na aplicação dos imunizantes na população".

Em nota conjunta do Conass, Ministério da Saúde e Conasems (Conselho dos Secretários Municipais da Saúde) divulgada na noite desta terça, os presidentes dos dois conselhos e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmam que a redução do intervalo entre as doses será analisada "após a distribuição da primeira dose para toda a população adulta (com 18 anos ou mais)", baseada sempre "nas melhores evidências científicas, trazidas nas discussões da Câmara Técnica Assessora de Imunizações".

A nota também diz que, a partir de agora, "a operacionalização da vacinação contra a covid-19 obedecerá, uma vez já cumprida a distribuição de ao menos uma dose para os grupos prioritários, a ordem por faixa etária decrescente". De acordo com o documento, "após a conclusão do envio de doses para a população adulta, serão incluídos os adolescentes de 12 a 17 anos, com prioridade para aqueles com comorbidades".

A decisão de reduzir o intervalo entre as doses da vacina tem como um dos principais objetivos conter o avanço da variante Delta do coronavírus. Pesquisa do laboratório francês Pasteur indica que a primeira dose da Pfizer tem uma proteção de apenas 10% contra a variante. Por outro lado, com as duas doses tomadas, a taxa sobe para 95%.

A bula do imunizante da farmacêutica americana já recomenda os 21 dias. O governo brasileiro optou por estender o prazo para que o maior número possível de pessoas recebesse a primeira dose.

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