Conselhos de Medicina apoiam aborto em menina de 9 anos

Representantes declararam apoio à equipe médica afirmando que o procedimento foi 'irrepreensível'

Carmen Pompeu, de O Estado de S. Paulo,

11 Março 2009 | 18h10

Representantes dos Conselhos Regionais e Sindicatos de Medicina do Nordeste divulgaram uma nota de apoio à conduta da equipe médica do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), da Universidade de Pernambuco, em realizar o aborto na menina de nove anos vítima de violência sexual. "Tal procedimento caracteriza um aborto legal, correto e irrepreensível do ponto de vista técnico e ético", diz o documento.   Veja também: Leia a carta do padre de Alagoinha sobre aborto e excomunhão Jornais do mundo falam sobre caso de excomunhão e aborto  Entenda o que dizem o Direito Canônico e o Código Penal  Opine: qual ética o médico deve seguir nestes casos?   A posição foi tomada durante o I Encontro dos Conselhos de Medicina do ano de 2009 (I ENCM 2009), que prossegue até sexta-feira, 13, no Hotel Ponta Mar, em Fortaleza. O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Edson de Oliveira Andrade, apoia a iniciativa.   Na nota, os médicos lamentaram a polêmica em torno do caso. Eles também repudiaram a postura de julgamento religioso dos profissionais médicos pelo representante da Igreja Católica em Pernambuco, o arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho. De acordo com eles, a excomunhão anunciada pelo arcebispo "lembra os tempos da inquisição".   Filme   Para prevenir casos de violência como o da menina que acabou grávida de gêmeos depois de ser estuprada pelo próprio padrasto, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) elaborou o filme "Pela Vida... Pelo Tempo", exibido, hoje (11), durante o I ENCM 2009.   De acordo com o responsável pelo argumento do filme, a ideia é mobilizar a sociedade para a construção de uma sociedade justa e democrática. "Pela Vida... Pelo Tempo" relata problemas como fome, miséria e exclusão social em ambientes como o sertão, o agreste, a zona da mata e a cidade grande.   O filme tem 40 minutos. Metade é documental e a outra metade ficção. Ele está sendo exibido em escolas e comunidades para promover o debate. Segundo a atriz Fernanda Soveral, a iniciativa provoca a discussão sobre a situação da mulher e sobre a saúde pública, numa preocupação com a saúde física e social das pessoas.   As tomadas foram gravadas durante uma caravana promovida pelo Cremepe, que percorreu durante quatro anos todos os municípios de Pernambuco. É relatada uma situação de completa penúria. São citados casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, violência contra a mulher, estudantes sendo transportados em pau de arara, falta de qualidade na escola, falta de remuneração justa para os professores, saúde de péssima qualidade, desemprego, falta de oportunidade, o crack chegando em todos os municípios, e o trabalho escravo.

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