Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Consumo de álcool cai no País, mas há risco de alta futura

Quantidade de litros consumidos por cada brasileiro anualmente passou de 8,8 em 2010 para 7,8 em 2016

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo na Suíça, e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 11h20
Atualizado 21 Setembro 2018 | 21h57

GENEBRA E SÃO PAULO - O consumo de bebidas alcoólicas no Brasil sofreu queda, mas ainda é responsável por um número importante de mortes no País e a tendência de redução corre o risco de ser revertida e aumentar até 2025. Os dados compõem o levantamento anual da Organização Mundial da Saúde.

Em 2010, o consumo total de álcool por pessoa no Brasil era, em média, de 8,8 litros por ano. Em 2016, essa taxa caiu para 7,8 litros. De acordo com a OMS, porém, o risco é de que a taxa volte a subir para 8,3 litros até 2025. No mundo, a média é de 6,4 litros por pessoa por ano. Na Europa, a taxa chega a 9,8 litros e o continente é onde mais se consome, mas o volume caiu em 10% desde 2010. 

No Brasil, a diferença de consumo entre homens e mulheres é profunda. Em 2016, um homem bebia no País, em média, 13 litros de álcool por ano. Entre as mulheres, a média era de apenas 2,4 litros. A cerveja representa 62% de todas as bebidas e o vinho, apenas 3%. 

Presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o psiquiatra e especialista em dependência química Arthur Guerra diz que a redução do consumo de álcool pelos brasileiros é um dado positivo. “Temos de continuar com as políticas públicas para evitar o uso de álcool por menores de idade, gestantes, para não beber e dirigir, e para conter as propagandas de bebida. Precisamos cada vez mais de ações de prevenção e de mais cuidado dos agentes de saúde, médicos e enfermeiros para identificar precocemente os sinais de consumo de bebidas alcoólicas.” Procurado, o Ministério da Saúde destacou o trabalho nas 2,5 mil unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

Só que, além de manter e aumentar o trabalho preventivo por meio de políticas públicas, Guerra afirma que é importante que o indicador continue caindo nos próximos anos. “Vamos ter de fazer mais investimentos em médio e longo prazo para que ele seja melhor.”

Crise

O especialista também observa que a queda de consumo de álcool pode ocorrer durante períodos de crise econômica. “Toda vez que há uma diminuição do poder de compra do usuário, as chances de comprar bebidas diminuem. Quando a economia está bem, (elas) aumentam. Mas o consumo de álcool informal pode crescer também, com as bebidas de contrabando e feitas em alambiques clandestinos.”

Gerente operacional dos bares Posto 6, Salve Jorge e Cervejaria Patriarca, Wanderley Romano diz que tem notado queda no consumo de álcool e também no movimento dos bares. “Tem vários fatores. Começou com a lei seca, que diminuiu o consumo de álcool, porque o paulistano tem uma cultura de sair com o carro - e teve de mudar esse hábito. Fora isso, tivemos uma crise fenomenal. Quem saía três vezes por semana, passou a sair uma. Quem saía uma vez por semana começou a sair uma vez por mês.”

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