REUTERS/Rahel Patrasso
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Contágio local de coronavírus não exige mudança de estratégia de prevenção, dizem especialistas

Brasil confirmou transmissão interna da doença após uma sequência de casos importados. Cenário aumenta possibilidade de contágio, mas não altera os procedimentos básicos de prevenção

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - A confirmação de transmissão local do coronavírus no Brasil altera algum procedimento de prevenção? Foi essa pergunta que muitos se fizeram logo após o Ministério da Saúde divulgar a contaminação entre indivíduos dentro do País. A resposta dos especialistas é direta: “não”.

As pessoas infectadas dentro do País têm relação com o primeiro caso confirmado, de um homem de 61 anos, e são do sexo feminino. A primeira pegou a infecção por contato com o homem durante reunião de cerca de 30 pessoas. Na sequência, ela transmitiu a doença para a outra paciente.

Para o infectologista e chefe da disciplina de Clínica Médica da Unifesp, Paulo Olzon Monteiro da Silva, com a transmissão local aumentam as possibilidades de transmissão, mas não os procedimentos básicos de prevenção. “Com a transmissão local vivemos uma nova fase, onde será preciso muita atenção, mas os métodos de prevenção continuam os mesmos: lavar as mãos frequentemente, evitar tocar os olhos, boca e nariz sem lavar as mãos, cobrir a boca e o nariz ao tossir, evitar aglomerações e sair de casa se estiver doente”, enumera o especialista.

O infectologista Jean Gorinchteyn explicou que as medidas que já foram tomadas pelo Ministério da Saúde anteciparam essa situação. “Não muda em nada, de forma alguma. Tudo o que é necessário ser feito já vem sendo adotado. As pessoas, claro, precisam se manterem zelosas em relação aos cuidados mais básicos”, disse.

Com transmissão interna, o Brasil pode ser inserido em lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de países em monitoramento para o novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, o País ainda não tem uma "transmissão comunitária do vírus”.

O Brasil já conta com 13 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde atualizados às 16h desta sexta-feira, 6. Dez delas estão na cidade de São Paulo, que lidera o ranking de casos suspeitos. Os outros três diagnósticos, já conhecidos, foram feitos no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e na Bahia.

Em coletiva de imprensa, a pasta anunciou que vai passar a monitorar pessoas com sintomas que chegarem de qualquer país da América do NorteEuropaÁsia e da Oceania, mais especificamente da Austrália. Ao todo, o País tem 768 casos suspeitos da doença e 480 análises já foram descartadas. Os Estados com mais registros de suspeição de coronavírus são: São Paulo (222), Minas Gerais (123), Rio Grande do Sul (112) e Rio de Janeiro (111).

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