Contra a dengue, Campo Grande aprova vistoria em imóvel fechado

Os vereadores de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, aprovaram ontem uma lei que facilita o combate à epidemia de dengue. A nova lei permite a inspeção de 200 mil imóveis fechados. Mato Grosso do Sul é o Estado que mais sofre com a doença no País. Desde o início do ano, 53.146 casos foram confirmados em 76 dos 78 municípios do Estado. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, Campo Grande está enfrentado a maior epidemia de dengue da história, com 27.300 notificações. O número é superior aos 21 mil de 2002. No Estado de São Paulo, a Secretaria da Saúde intensificou as ações em 20 cidades da região de Araçatuba, onde estão concentrados 850 dos 2,2 mil casos do Estado. Uma pessoa da região morreu com sintomas da dengue hemorrágica. A explicação dos sanitaristas para o problema nessa região de São Paulo são a proximidade com Mato Grosso do Sul, o clima quente e a quantidade de lagos e rios. Veneno Aéreo A cidade paulista mais afetada é Birigüi - 334 casos confirmados e 1,2 mil suspeitos. Com 110 mil habitantes, o município tem só um pronto-socorro, que está recebendo 700 pacientes por dia, 60% com sintomas da doença. Numa tentativa desesperada de impedir a escalada da epidemia, o prefeito de Birigüi, Wilson Borini (PMDB), pensou em contratar um avião para borrifar veneno sobre a cidade, mas foi convencido pela Superintendência de Controle de Endemias de que seria inútil. A saída foi decretar estado de calamidade pública para contratar sem concurso público 114 agentes de saúde. A Câmara Municipal aprovou uma lei obrigando as imobiliárias a abrir os imóveis para vistoria de agentes. A situação se agrava ainda mais quando se aproxima de Mato Grosso do Sul. Em Andradina e Ilha Solteira, duas cidades de fronteira, o sistema de saúde está entrando em colapso. No Hospital de Base de Ilha Solteira e no Pronto-Socorro de Andradina, centenas de pessoas com sintomas da dengue aguardam o atendimento em filas. Ilha Solteira diagnosticou 213 casos e Andradina, 69. Há 1,2 mil casos suspeitos. Homeopatia Em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, cresce o receio de um surto. Onze casos foram confirmados e há 570 suspeitos. Diante da situação, o médico e vereador Ricardo Cortês teve a idéia de distribuir gratuitamente um medicamento homeopático chamado de ?vacina contra a dengue?. A solução, em gotas, começou a ser distribuída na clínica onde o médico atua. A Vigilância Sanitária de Ubatuba apreendeu 43 frascos. Algumas pessoas tomaram o remédio, mas não tiveram efeitos colaterais. O vereador chegou a distribuir 5 mil panfletos sobre a ?vacina?. Na cidade de São Paulo, a situação está mais tranqüila. Foram registrados 78 casos de dengue neste ano, sendo apenas três autóctones (originados na cidade). Nos demais casos, as pessoas se infectaram no interior e em outros Estados, principalmente Mato Grosso do Sul. O Brasil tem os tipos 1, 2 e 3 da dengue. Quem se infecta uma vez não contrai mais o mesmo tipo, mas pode ser infectado pelos outros dois. Numa segunda infecção, os sintomas costumam ser mais fortes e podem incluir hemorragias - é a dengue hemorrágica, que pode levar à morte. Não há vacina. A forma de combater a doença é a prevenção: eliminando o mosquito transmissor e suas larvas. Isso se faz evitando o acúmulo de água parada, onde o inseto se reproduz.

Agencia Estado,

02 de março de 2007 | 09h56

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