FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Contra 'Aedes aegypti', Rio faz fumacê na Passarela do Samba

A menos de duas semanas do carnaval, ação foi acompanhada por jornalistas estrangeiros, que ampliaram interesse pelo assunto por causa do crescimento de casos de zika pelo mundo

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 10h55
Atualizado 26 Janeiro 2016 | 22h41

RIO - A repercussão internacional das epidemias de zika e dengue levou mais jornalistas estrangeiros do que brasileiros à entrevista convocada pela prefeitura do Rio para divulgar a pulverização com inseticida dos espaços que serão usados durante o carnaval.

A entrevista coletiva, no Sambódromo, reuniu jornalistas dos canais americanos de notícias CNN e NBC, da rede inglesa BBC e do canal francês France 2, além das agências de notícias Reuters (britânica), EFE (espanhola) e a francesa France-Presse (AFP). Do Brasil, havia apenas jornalistas do Estado e de uma rádio carioca.

Os correspondentes insistiram nas perguntas, dirigidas ao coordenador de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Marcus Vinícius Ferreira, sobre as medidas de proteção contra o vírus zika e até mesmo se o País “perdeu” mesmo a batalha contra o mosquito Aedes aegypti, como declarou na segunda-feira o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Outro tema questionado pelos jornalistas estrangeiros foi a possibilidade de o Rio vir a receber ajuda do Exército para o combate ao mosquito durante a Olimpíada, em agosto. Também indagaram se o inseticida liberado por máquinas portáteis e em carros adaptados para atingir mosquitos adultos em voo – chamados no Rio de “fumacê” – é tóxico para humanos.

Segundo a prefeitura, foram convidadas para a entrevista organizações da mídia internacional, o que não é comum, por causa do assédio diário dos correspondentes. No Sambódromo, eles acompanharam ações de combate ao mosquito. Foram empregados um carro do “fumacê” e aparelhos costais.

Além disso, foram vistoriados possíveis focos do Aedes aegypti na Passarela do Samba, como as arquibancadas, que podem acumular poças de água. As ações de combate ao mosquito foram intensificadas no Sambódromo e na Cidade do Samba (zona portuária carioca), onde ficam os barracões das escolas de samba. As quadras das agremiações também têm sido vistoriadas, informou a Secretaria de Saúde.

Sem Exército. Na reportagem subsequente, a agência France-Presse destacou – em inglês, francês, italiano e espanhol em sites internacionais – o fato de Ferreira ter dito que dispensará a ajuda das Forças Armadas para combater o mosquito, sob a alegação de já ter agentes suficientes. “Esta ajuda não chegará ao Rio”, relatou a reportagem. A notícia também ficou na página principal do site da agência durante toda a tarde desta terça, com fotos da ação no Sambódromo.

Já a agência EFE informou que as instalações vistoriadas no Sambódromo serão usadas na Olimpíada, nas disputas de tiro com arco. A reportagem lembrou que a propagação do zika levou o governo federal a declarar estado de emergência sanitária, ao suspeitar da relação da doença com a microcefalia.

Ao ser questionado pelos estrangeiros se concordava com a declaração do ministro da Saúde de que a guerra contra o mosquito da dengue está sendo perdida, o coordenador disse discordar. “Em relação ao Rio, ele está errado. O Estado estava no top de números de casos, agora está atrás de São Paulo e Goiás”, disse.

Ferreira destacou que é reduzido o índice de infestação do mosquito no bairro do Catumbi, vizinho do Sambódromo. “O índice de infestação desta região é 0,9, um número baixo. Acima de 1, é considerado médio. Acima de 3,9, perigoso. Mesmo assim, qualquer ponto de aglomeração de pessoas é estratégico para o mosquito e aqui vão estar cerca de 40 mil pessoas no carnaval.”

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