Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters

Contra o Alzheimer, ginástica

Estudo diz que exercícios reduzem os sintomas neuropsiquiátricos em portadores da doença

Felipe Oda - Jornal da Tarde,

26 Julho 2011 | 10h23

A atividade física regular é a nova aliada no tratamento de pessoas com demência, segundo estudo publicado pela revista científica Arquivos de Neuro- Psiquiatria. Os exercícios contribuem para a redução dos sintomas neuropsiquiátricos em portadores de Alzheimer e demência vascular cerebral e atenuam o trabalho dos cuidadores desses pacientes.

Conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da universidade Estadual de São Paulo (Unesp),a pesquisa selecionou 59 idosos portadores de doenças cognitivas, com idade média de 76 anos. Os pacientes foram divididos em três grupos, segundo "o nível de demência e prática de atividade física, como caminhadas e outros exercícios aeróbicos", conforme explica Gustavo Christofoletti, professor do curso de fisioterapia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e um dos coordenadores do estudo.

Entre os pacientes com o mal de Alzheimer (39% da amostra),os médicos detectaram apatia, comportamento motor aberrante, irritabilidade e delírios entre os sintomas mais frequentes. Os indivíduos classificados com demência vascular (32,2%) tiveram irritabilidade, ansiedade e agitação. Já os idoso definidos com demência mista (28,8%) – portadores de Alzheimer e déficit cognitivo por acidentevascular – os sintomas mais comuns foram ansiedade, agitação e depressão.

"Todos os principais sintomas neuropsiquiátricos que acompanham cada tipo de demência foramreduzidoscomaatividade física", diz Christofoletti. O resultado não surpreendeu Wilson Jacob Filho, professor titulardegeriatriada Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). "Já existem evidências de que a atividade física planejada e programada contribui efetivamente para o sucesso ou benefício do tratamento."

O efeito benéfico da atividade física em pacientes portadores de demência foi descoberto recentemente, segundo Jacob Filho. “Sabíamos como ela funcionava nas doenças do coração, metabolismo, obesidade, mas esse benefício nas funções cerebrais é uma aquisição muito recente."

Clineu de Mello Almada Filho, diretor do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que a atividade física não cura quadros de demência, mas pode amenizá-los. "O exercício físico libera algumas substâncias, neurotransmissores, hormônios, que deixam o indivíduo mais ativo."

Mais benefícios

O estudo da Unesp e da Unicamp descobriu ainda que pacientes ativos também exigem menos de seus cuidadores.

A conclusão partiu de um questionário respondido pelas 59 pessoas definidas como responsáveis pelos idosos pesquisados.

A atividade física melhora a mobilidade, força muscular, equilíbrio, resistência e capacidade respiratória e muscular dos indivíduos com demência. Esses ganhos que refletem diretamente no

trabalho dos cuidadores.

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