Contratação de pediatras não resolve dengue no RJ, diz Soperj

'Faltam pediatras dispostos a trabalhar nas condições da rede privada e pública', afirma presidente da sociedade

Giovanna Montemurro, do estadao.com.br,

31 de março de 2008 | 18h12

A medida de contratação de pediatras em outros Estados, anunciada pelo secretário estadual da Saúde do Rio, Sérgio Cortês, não resolve o problema da dengue em pacientes infanto-juvenis, afirmou nesta segunda-feira, 31, a presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, Dra. Maria de Fátima Coutinho. "Não sei se faltam pediatras, sei que faltam pediatras dispostos a trabalhar nas condições oferecidas pela rede pública e privada do Estado", disse. No fim de semana, pelo menos cinco novas mortes suspeitas de dengue foram registradas, três delas de crianças. Já foram confirmadas no Estado 54 mortes pela doença .   Veja Também: Especial - A ameaça da dengueRio pede médicos de outros Estados contra epidemia de dengueEmbrapa desenvolve inseticida para morador usar em criadouroJuíza determina que SUS garanta vaga para doenteDengue atinge status de epidemia no RioEpidemia de dengue ameaça 30 cidades do PaísCabral defende fechamento de hospital que pode tratar dengue  Segundo Maria de Fátima, os problemas como a demora no atendimento devem-se, não só à falta de profissionais - que, com a crise, estão cada vez mais sobrecarregados - mas também às dificuldades no tratamento criadas pelas condições socioeconômicas do País. Para a médica, é muito difícil realizar um trabalho à altura da crise quando falta dinheiro e educação para a população seguir as orientações médicas. "É uma situação desumana para todos os lados, para os médicos e para os pacientes", disse. Para a pediatra, a medida vai agravar ainda mais a situação do Estado. Para a médica, trazer pediatras de outros lugares é um desestímulo para o profissional da região, que vai se afastar cada vez mais. "Antes de mais nada, devia-se oferecer condições de trabalho decentes para os pediatras. Ninguém mais quer ser pediatra, ninguém gosta de ser tão maltratado." Maria de Fátima descartou ainda a possibilidade de despreparo dos profissionais para o tratamento da dengue infanto-juvenil. "Não há despreparo técnico. Há, sim problemas estruturais, como a desinformação da população e o maltrato ao profissional, que impedem que o melhor trabalho seja feito." Mais pediatras O secretário estadual da Saúde do Rio, Sérgio Cortês, afirmou nesta segunda-feira, 31, que quer buscar pediatras em outros Estados com o intuito de fortalecer o atendimento de crianças com dengue na cidade. No fim de semana, pelo menos cinco novas mortes suspeitas de dengue foram registradas, três delas de crianças no Estado. Ao todo, entre os casos confirmados e aqueles que ainda dependem de confirmação clínica, 119 pessoas podem ter morrido no Rio em decorrência da doença. Segundo informações da Secretaria da saúde, a secretaria, que está enfrentando dificuldades em contratar novos profissionais, devido à falta de procura dos médicos, vai arcar com as despesas de transporte e hospedagem dos médicos, além de pagar pelos plantões realizados. A Secretaria ainda não tem informações de quantos profissionais ainda são necessários para atender à grande demanda. (Com informações de Solange Spigliatti)

Tudo o que sabemos sobre:
epidemiadengueRio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.