Controlar dos batimentos cardíacos reduz risco de enfarte

Estudo comprova que freqüência cardíaca de 70 bpm reduz em um terço o número de enfartes

Fabiana Cimieri, especial para o Estado,

12 de setembro de 2008 | 19h58

O estudo Beautiful, que acompanhou 11 mil pacientes com doenças coronarianas, concluiu que o controle da freqüência cardíaca em no máximo 70 batimentos por minuto reduz em um terço o número de enfartes. Alguns outros estudos menores já indicavam a importância de controlar os batimentos cardíacos, mas é a primeira vez que esse resultado é encontrado em um grupo maior.   O estudo foi iniciado em dezembro de 2004 e foi financiado pelo laboratório francês Servier, que desenvolveu um novo medicamento para modular a freqüência cardíaca: a ivabradina. Essa droga, já aprovada pelos órgãos reguladores de alguns países europeus e da Argentina age especificamente sobre o ritmo do coração. Os betabloqueadores causam esse efeito, mas também provocam contração da musculatura ventricular e abaixam a pressão.   Os 11 mil pacientes foram recrutados em 781 centros, em 33 países, em 4 continentes. Todos tinham alguma doença coronariana. Eles foram divididos em dois grupos, um que tomou todos os medicamentos adequados e mais a ivabradina, e placebo.   "O que esse remédio tem de inovador é que ele diminui a freqüência cardíaca sem diminuir a pressão arterial ou causar falta de ar", disse o pesquisador do Instituto Nacional de Cardiologia, César Cardoso Oliveira.   O diretor do Hospital Pró-Cardíaco, Evandro Tinoco, considerou o estudo importante. "É uma nova área de pesquisa. Eles testaram a hipótese de que quanto maior a freqüência cardíaca, menos vive um ser, e concluíram que existe um benefício em agregar uma nova droga além do tratamento padrão".   Ele ressaltou que a pesquisa foi publicada na revista inglesa Lancet, uma publicação especializada e independente.   Para o cardiologista Carlos Scherr, no entanto, o estudo não foi bem-sucedido na redução da mortalidade, que era o seu objetivo principal; apenas conseguiu um resultado secundário, que foi mostrar que quem tinha freqüência cardíaca acima de 70 se beneficiava do remédio.   "Não é de grande impacto e não muda grande coisa. Os betabloqueadores já reduzem a freqüência do coração", disse ele.

Tudo o que sabemos sobre:
coraçãosaúdeciência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.