Coquetel de antibióticos pode ser eficaz contra malária, diz estudo

Os pesquisadores afirmam que uma técnica assim só poderia ser adotada em circunstâncias especiais

REUTERS

14 Julho 2010 | 17h23

Pessoas que correm grande risco de contrair malária poderiam se beneficiar de um composto preventivo de antibióticos, de acordo com os resultados de um estudo em camundongos.

 

Cientistas do Reino Unido, Alemanha e Quênia afirmam que as drogas podem estimular pessoas saudáveis a desenvolver imunidade natural aos parasitas causadores da malária, ganhando proteção contra possível futura infecção.

 

Os pesquisadores afirmam que uma técnica de imunização natural como essa só poderia ser adotada em circunstâncias especiais, onde as temporadas de malária são de alto risco mas de curta duração e onde as pessoas em risco tenham certeza de que os medicamentos seriam tomados antes da infecção ocorrer.

 

"A melhor aplicação disso seria em áreas onde há alto risco sazonal de transmissão da malária, como nas regiões de savana do Mali e de Burkina Faso, onde a transmissão da malária só ocorre num período curto mas muito intenso", disse Steffen Bormann, do Instituto de Pesquisa Médica do Quênia, que tomou parte no estudo.

 

Os antibióticos funcionam causando um defeito celular nos parasitas da malária, durante a migração desses agentes para o interior do fígado da vítima, disseram os pesquisadores em artigo publicado no periódico Science Translational Medicine.

 

Esse defeito impede que o parasita deixe o estágio em que vive no fígado para o estágio que realmente causa a doença, quando o invasor se aloja no sangue. E o parasita aprisionado no fígado leva o corpo a produzir uma forte reação imunológica contra a malária, semelhante a uma vacinação tradicional.

 

Bormann e colegas realizaram o estudo dando antibióticos preventivos a camundongos saudáveis e depois infectando-os com parasitas de malária. Eles descobriram que os camundongos geravam uma resposta imunológica semelhante á de uma vacinação.

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