Cor de fósseis de besouro dá pistas sobre sua vida há milhares de anos

Pesquisadora afirma em estudo que cores mudam após a morte dos insetos, apontando indícios de sua utilidade

Jonathan Amos, BBC

29 de setembro de 2011 | 10h39

Quando brilham em seu máximo, as cores dos besouros podem fazer com que os insetos pareçam ser compostos de algum metal precioso.

Mas quando esses besouros morrem e se convertem em fósseis, quanto dessa beleza luminosa é preservado?

Essa pergunta tem intrigado a professora Maria McNamara, da Universidade Yale (EUA).

Seu estudo microscópico sobre besouros fossilizados, publicado na última quarta-feira na versão online de Proceedings of the Royal Society, mostra como as cores que se mantêm nos insetos acabam sendo sutilmente alteradas.

O que em vida era azul se transforma em verde após a morte, segundo as descobertas da especialista.

A observação é fascinante porque significa que os cientistas poderão identificar, com grande chance de acerto, qual era a aparência de criaturas que viveram milhares de anos atrás.

E essa informação sobre as cores pode ser particularmente reveladora a respeito da forma como um besouro viveu sua vida.

"Essas cores têm diversas funções visuais", disse McNamara, que também é afiliada com a Universidade College Dublin, na Irlanda.

"Elas podem funcionar para comunicações, por exemplo, ou para regulação térmica. Assim, é importante conseguir reconstruí-las corretamente, para que possamos saber para que esses organismos usavam as cores", explicou à BBC News.

Luz e esqueleto

As cores espetaculares que vemos em muitos besouros são o resultado da forma como a luz interage com finíssimas camadas de materiais que compõem a cutícula - ou esqueleto - do animal.

Pequenas estruturas compostas da substância quitina se curvam e refletem a luz, destacando alguns comprimentos de onda específicos.

McNamara e seus colegas examinaram os esqueletos de diversos fósseis de besouros, datados de 15 milhões a 47 milhões de anos.

A equipe usou poderosos microscópios para entender como as propriedades de controle de luz desses fósseis haviam sido afetadas pelo processo de fossilização, em que átomos e moléculas de tecidos podem ser removidos ou substituídos.

Os pesquisadores descobriram que as estruturas haviam permanecido, mas sua composição química havia sido alterada.

A consequência disso é que as cores preservadas mudavam seu comprimento de onda. Um besouro que, quando vivo, era de cor violeta se tornaria azul quando fossilizado; um azul vivo ganharia tons de verde após ficar enterrado por milhões de anos, e assim por diante.

"O que acontece é que o índice refratário (de luz) do esqueleto muda", explicou McNamara. "Isso é uma medida de o quanto a luz se curva. E significa que a química deve ter sido alterada, porque o índice refratário em um material depende da composição desse animal."

A pesquisadora ressalvou que as mudanças de comprimento de onda diferem levemente entre as espécies, e que os besouros estudados pela equipe de McNamara vieram todos de sedimentos similares de lagos. Outros tipos de sedimento podem provocar resultados diferentes, ela afirmou.

 

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