Coração de rei inglês cheirava bem para ir mais rápido ao céu--cientistas

O coração de Ricardo Coração de Leão foi embalsamado com margaridas, murtas, hortelã e olíbano para que cheirasse bem à maneira dos santos na esperança de acelerar a ascensão do rei inglês ao céu.

Reuters

01 de março de 2013 | 15h53

Cientistas franceses analisaram o órgão, mantido na Catedral de Rouen desde a morte de Ricardo I, conhecido como Coração de Leão, e descobriram que ele estava envolto em linho tratado com mercúrio, ervas e reverência, e que continha pólen, confirmando registros de sua morte de um ferimento de batalha na primavera de 1199, no centro da França.

O que Philippe Charlier, quem publicou o estudo na quinta-feira, não descobriu na poeira suja que é tudo o que resta do coração, foi qualquer traço de toxina - enfraquecendo histórias de que o rei foi atingido por uma seta envenenada. Provavelmente, a sujeira medieval e uma ferida infectada causaram sua morte precoce, aos 41 anos de idade.

Para os ingleses, as descobertas da equipe de Charlier podem trazer as lembranças de um monarca que vive na cultura popular como o ausente, mas "bom Rei Ricardo", na história de Robin Hood.

Para os franceses, contra quem Ricardo lutava ao morrer, sua reputação de um guerreiro impiedoso, contrário à presença dos muçulmanos na Terra Santa e também na Europa, pode explicar o cuidado tomado para preservar o coração real de uma maneira cara, ligada ao espírito medieval com o embalsamento de Jesus após a crucificação.

"Ele foi bem criticado durante as Cruzadas por ter sido particularmente cruel", disse Charlier, uma celebridade na França, em uma coletiva de imprensa em Versalhes.

"As pessoas começaram a falar quando ele morreu, então um cuidado muito especial teve que ser dado ao seu corpo e, principalmente, ao seu coração, com ervas e especiarias que não foram escolhidos ao acaso."

"Sabemos de fontes históricas que essas ervas e especiarias eram usadas para encurtar o tempo em que Ricardo Coração de Leão passaria no Purgatório, dando a ele um tipo de odor de santidade."

"Portanto, esse estudo é quase um estudo científico de um odor artificial de santidade, feito pelo homem", acrescentou Charlier, apelidado de "Indiana Jones dos cemitérios" pela mídia francesa por suas análises de relíquias e restos mortais de reis nos últimos anos.

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