REUTERS/Thomas Peter/Arquivo
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Coronavac: eficácia menor exige ritmo de vacinação mais veloz para frear pandemia, diz especialista

Epidemiologista Denise Garrett diz que grau de proteção é suficiente para ajudar no combate à doença; bióloga Natalia Pasternak diz que imunizante está dentro dos limites aceitáveis pela comunidade científica

Fabiana Cambricoli, João Ker e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 17h46

SÃO PAULO - O Instituto Butantã informou nesta terça-feira, 12, que a eficácia geral da Coronavac é de 50,38%, abaixo da taxa de 78% apresentada pela gestão João Doria (PSDB) semana passada. Conforme o Estadão já havia revelado, o índice maior era só de um recorte do estudo: o grupo de voluntários que manifestaram casos leves de covid-19, mas com necessidade de atendimento médico. O grau de proteção oferecido pela Coronavac é suficiente para ter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas especialistas ponderam que a eficácia menor exige ritmo de vacinação mais veloz para frear o avanço da pandemia no Brasil.

Natalia Pasternak, bióloga e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), cientista independente convidada a participar do evento de anúncio do Butantã nesta terça, celebrou a divulgação de mais detalhes dos dados e afirmou que a Coronavac, embora não tenha atingido uma eficácia tão alta quanto a de outras vacinas, terá um papel importante na contenção da pandemia.

“Não é a melhor vacina do mundo, mas é uma boa vacina. Tem sua eficácia dentro dos limites do aceitável pela comunidade científica, pela OMS e por parâmetros internacionais. É um estudo limpo, claro e que agora traz os resultados exatamente do que se propôs a fazer. E traz agora bons e honestos resultados, de uma vacina que é perfeitamente aceitável”, afirmou ela, acrescentando que a maior necessidade agora é de uma campanha robusta de vacinação. 

O governo paulista espera iniciar a vacinação com a Coronavac em 25 de janeiro, mas ainda depende da autorização da Anvisa para uso emergencial do produto. No sábado, a agência federal anunciou ter requisitado dados complementares ao Butantã, que disse nessa segunda ter enviado mais informações. Já o governo federal ainda não definiu a data para o cronograma de vacinação contra a covid-19. Nessa segunda, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse apenas que a campanha começa no "dia D, na hora H". 

"Estou convencida de que temos uma vacina que é 50,4% eficaz em prevenir casos sintomáticos. Ou seja, de 100 pessoas que foram vacinadas, 50% estarão protegidas. Esse dado é sólido. E está bom demais. É o que temos, é uma proteção e 50% é melhor do que nada. A vacina também demonstrou dar uma proteção de 78% em termos de prevenir casos leves. Vai ajudar.", comentou a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin Vaccine. 

"Mas com essa taxa de eficácia, teremos de vacinar praticamente toda a população. E temos de começar o mais rápido possível. O ideal seria termos mais opções de vacinas mais rapidamente. Esperamos que seja uma das armas de um arsenal contra a covid-19 no Brasil", acrescentou Denise. A outra aposta de imunizante do Brasil é a vacina da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca, que têm acordo com o Ministério da Saúde para produção de doses pela Fiocruz. O governo Jair Bolsonaro, porém, espera iniciar a vacinação no Brasil com 2 milhões de doses importadas da Índia. 

 

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