Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Coronavac tem 86% de efetividade contra mortes por covid-19 no Chile, aponta estudo 

Pesquisa foi publicada nesta quarta-feira no New England Journal of Medicine. O estudo foi realizado com o acompanhamento dos resultados de 10,2 milhões de pessoas vacinadas com as duas doses do imunizante

Emilio Sant’Anna, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2021 | 21h07

Um estudo publicado nesta quarta-feira, 7, no New England Journal of Medicine mostrou que a Coronavac teve 86% de eficácia na prevenção de mortes causadas pela covid-19 no Chile. O estudo foi realizado com o acompanhamento dos resultados de 10,2 milhões de pessoas vacinadas com as duas doses da Coronavac entre 2 de fevereiro a 1º de maio.

Trata-se do primeiro estudo de efetividade da vacina publicado em uma revista científica. Até então, essa era uma das críticas que o imunizante da chinesa Sinovac recebia nos países ocidentais.

Entre as pessoas que foram totalmente imunizadas, a eficácia da vacina foi de 65,9% para a prevenção de covid-19, de 87,5% para a prevenção de hospitalização, de 90,3% para a prevenção de internações em UTI, e de 86,3% para a prevenção de morte relacionada à doença. Cerca de 55% da população chilena já está protegida pelas duas doses do imunizante, o melhor desempenho na América Latina.

"É o primeiro artigo sólido, publicado na revista mais conceituada do mundo. Os resultados falam por si. A Coronavac tem um excelente desempenho naquilo que mais importa que é salvar vidas”, diz o médico infectologista e professor da Unesp Alexandre Naime. “É um resultado sólido que contraria as fakenews dos ‘antivaciners’ mostrando que toda vacina conta e impulsiona a necessidade de reforçar a vacinação.” 

De acordo com os pesquisadores chilenos, campanhas de vacinação em massa para prevenir a covid-19 estão ocorrendo em muitos países e estimativas da eficácia da vacina são urgentemente necessárias para apoiar a tomada de decisão. 

As estimativas de eficácia de vacina existentes se concentraram na vacina de RNA mensageiro Pfizer/BioNTech, Oxford/AstraZeneca e na vacina da Moderna, diz o estudo.

O Instituto de Saúde Pública do Chile aprovou a Coronavac para uso emergencial em 20 de janeiro de 2021. Em 2 de fevereiro, o país iniciou uma campanha de vacinação em massa com a vacina.  

No Brasil, a Coronavac é produzida no Instituto Butantan. Apesar de ter sido primeira vacina a ser utilizada na campanha de imunização e a mais usada até abril, ela é constantemente alvo de críticas infundadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Essa postura levou muitos brasileiros a colocar em dúvida a eficácia da vacina. 

“É provavelmente a vacina que mais salvou vidas no Brasil. Ela vai ficar para sempre na história como a vacina que salvou milhares, se não milhões de vidas no Brasil”, diz Naime.

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