Carla Carniel/Estadão
Carla Carniel/Estadão

Coronavírus adia carnaval de São Paulo em 2021

Sem desfiles, blocos de rua, e eventos como a Marcha para Jesus, Parada do Orgulho LGBT+, Fórmula 1 e réveillon, cidade deixa de movimentar ao menos R$ 3,35 bilhões

Bruno Ribeiro, Gilberto Amendola e Marina Aragão, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2020 | 13h02

O carnaval de rua e os desfiles das escolas de samba de São Paulo serão adiados para uma data ainda a ser definida em 2021 por causa da pandemia do coronavírus, segundo informou nesta sexta-feira, 24, o prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB). Há proposta para que as festividades ocorram no fim do mês de maio ou em julho.

Na semana passada, Covas já havia suspendido as celebrações do réveillon na Avenida Paulista, também por causa da doença. Outros eventos, como a Marcha para Jesus e a Parada do Orgulho LGBT+, também foram cancelados. A Marcha havia sido adiada para novembro, mas segundo Covas os organizadores desistiram da ideia. A prova da Fórmula 1 na cidade teve o cancelamento, adiantado pelo Estadão, confirmado nesta sexta.

Esses eventos, somados, significaram o ingresso de ao menos R$ 3,35 bilhões para os setores de comércio e de serviços da cidade no ano passado, segundo informações divulgadas pela Prefeitura ao longo de 2019. 

Covas fez o anúncio no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, ao lado do governador João Doria (PSDB), enquanto os dois conduziam uma entrevista coletiva para dar informes sobre a situação da pandemia no Estado.

“Apesar de a cidade sempre estar evoluindo no Plano São Paulo, ainda estamos enfrentando a pandemia”, disse Covas. "Tanto as escolas de samba quanto os blocos carnavalescos entenderam a inviabiliade da realização do carnaval em fevereiro", disse o prefeito. 

O carnaval deste ano ocorreu às vésperas da chegada da pandemia na capital. Em 2020, segundo dados da Prefeitura, o público (flutuante) dos blocos de rua chegou a uma soma de 15 milhões de pessoas, isso sem contar os blocos pré e pós-carnaval.

Covas já havia se reunido com dirigentes das escolas de samba e com coordenadores dos principais blocos de rua da cidade nesta semana, quando a possibilidade de adiar a festa havia sido apresentada. A avaliação é que é praticamente impossível adotar protocolos de segurança para os foliões, o que não deixou outra alternativa senão postergar o evento até ser possível realizá-lo sem correr o risco de provocar nova onda de infecções. 

Escolas de samba apoiam decisão

Representantes de escolas de samba da cidade disseram apoiar a decisão da prefeitura, destacando a saúde dos integrantes das agremiações e a possibilidade de planejar melhor o evento do ano que vem.

"Todo o tempo pensamos nos funcionários e artistas que trabalham diretamente nas escolas de samba", disse a presidente da Sociedade Rosas de Ouro, Angelina Basílio. "A partir dessa nova data, podemos dar o start no projeto de 2021, que no caso da Rosas de Ouro, vamos falar sobre todos os rituais de cura no tema "Sanitatem", que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Menezes", disse. A escola, ainda segundo Angelina, vem trabalhando em um projeto de arrecadação de doações para famílias atingidas pela covid-19 nas regiões da Freguesía do Ó e da Brasilândia, na zona norte.

O presidente da Imperador do Ipiranga, Rodrigo Souto, disse que a decisão pelo adiamento foi feito "em comum acordo" entre a liga das escolas de samba, as agremiações e a Prefeitura. "Com essa previsão já é possível dar continuidade no desenvolvimento do projeto do desfile do ano que vem. Ainda estamos dentro do prazo para iniciar os trabalhos  da confecção dos pilotos, produção das alegorias e reprodução das fantasias". Assim como Angelina, Souto disse que a escola está, no momento, focada em ajudar famílias de Heliópolis, na zona sul.

O mestre de bateria da Estrela do Terceiro Milênio, Vitor Velloso, também aponta o prazo a mais como uma vantagem para as escolas. “Com a definição de uma nova data para a realização do Carnaval, agora podemos iniciar os trabalhos com os ritmistas e adequar o calendário de ensaios dos diferentes naipes (instrumentos) que compõe a bateria.  Normalmente ensaiamos oito meses antes do desfile oficial. Seguindo o novo calendário, a previsão é começar os trabalhos com a bateria oficial em setembro, data que ainda será definida junto com a direção da Estrela do Terceiro Milênio, mantendo todos os protocolos de segurança e cautela por conta da pandemia”, diz o mestre.

 

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