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Coronavírus: entenda o risco da infecção para quem tem doenças cardiovasculares

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Segundo especialista, mortalidade dessas pessoas com covid-19 é três vezes maior do que a da população em geral

Ludimila Honorato, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2020 | 13h00

   

SÃO PAULO - Pessoas com doenças cardiovasculares estão no grupo de vulnerabilidade para o novo coronavírus. Segundo especialistas e estudos, a infecção aumenta o risco de morte e também pode, por si só, provocar agressão cardiovascular. Com isso, a mortalidade desses indivíduos por causa da covid-19 é três vezes maior do que a da população em geral.

Sérgio Kaiser, diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), explica que a porta de entrada do vírus é a enzima conversora da angiotensina-2 (ECA2), que está presente nos pulmões e tem um papel protetor contra agressões a esses órgãos.

“Essa enzima também está presente em maiores concentrações no organismo de pessoas portadoras de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e aterosclerose. Talvez, por isso, esses pacientes sejam mais vulneráveis à infecção por Sars-Cov-2”, diz o médico.

Kaiser cita uma análise de mais de 46 mil pacientes infectados pelo novo coronavírus na China, que mostrou que as condições mais prevalentes foram hipertensão arterial (17%), doença cardíaca e cerebrovascular (16%) e diabete (9,7%).

O especialista destaca que a prevalência dessas condições é maior em idosos, além de terem imunidade mais baixa e estarem no grupo de risco para a covid-19. “Portanto, é possível que idade e doença cardiovascular atuem em conjunto para tornar os cardiopatas mais vulneráveis.”

Ludhmila Abrahão Hajjar, diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), completa que a doença causada pelo novo coronavírus é sistêmica. “(A doença) Afeta todo o organismo, sendo o coração um órgão vital para a resposta do indivíduo ao vírus. Assim sendo, a doença cardíaca pode, sim, aumentar a gravidade da infecção e resultar em maiores taxas de mortalidade.”

Coronavírus pode provocar agressão ao coração

De acordo com a médica da SBC, a infecção pelo novo coronavírus também pode resultar em complicações cardiovasculares, como arritmias em 16% dos casos, isquemia miocárdica e enfarte em 10%, e miocardite em 7% dos afetados. “O dano ao coração está implicado como importante causa de morte nos pacientes críticos”, afirma.

Para o diretor científico da Socerj, é possível que, nos idosos com hipertensão, haja maior expressão da ECA2 nos pulmões, o que facilitaria a invasão do vírus por meio do aparelho respiratório e os tornaria mais suscetíveis a complicações cardiovasculares. No entanto, ainda não se pode afirmar que uma condição cardíaca predisponha mais ao risco da covid-19 do que outra.

Ainda assim, segundo estudos, agressões ao miocárdio foram detectadas em 7% da população infectada pelo novo coronavírus, em 22% dos internados em UTI pela doença e em quase metade dos mortos, cita Kaiser.

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Os especialistas afirmam que, até o momento, não há comprovação de que medicamentos utilizados para tratar doença cardiovascular mascarem os sintomas da covid-19. Portanto, é fundamental que os cardiopatas continuem tomando os remédios conforme orientação médica.

Além disso, por estarem em um grupo de risco, é recomendado intensificar as medidas de proteção, como lavar as mãos, cobrir a boca ao tossir ou espirrar e evitar aglomerações.

Kaiser destaca o isolamento social como uma das principais medidas. “Como pessoas jovens podem ser portadoras assintomáticas ou mesmo não ter ainda desenvolvido os sintomas, é necessário guardar distância: nada de abraçar netos, noras ou filhos”, alerta.

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