Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Coronavírus esvazia Av. Faria Lima em plena segunda-feira, em SP

Parte das empresas sediadas na via optaram pelo home office; quem se deslocou para trabalhar percebeu diferença no trânsito e nas calçadas vazias

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 15h21

SÃO PAULO - “Hoje até atravessei a Faria Lima com o semáforo aberto (para carros)”, conta a advogada Débora Fernandes, de 33 anos. Um dos principais centros financeiros do País, a avenida tem uma segunda-feira esvaziada, sem o engarrafamento e as calçadas cheias de pessoas de outros dias úteis.

O principal motivo é o aumento de casos confirmados do novo coronavírus no País, inclusive entre pessoas que trabalham na via, o que levou parte das empresas a adotar o home office por tempo indeterminado. Com isso, o impacto noa circulação de veículos era visível. Segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o trânsito esteve abaixo da média na cidade durante todo o dia. 

A advogada Débora Fernandes relata, por exemplo, ter levado 20 minutos nesta segunda-feira, 16, para fazer um trajeto que geralmente leva pouco mais de uma hora. “Nossa empresa forneceu álcool gel e um médico fez exame em todo mundo", relata.

No horário de almoço, um dos momentos que a avenida costuma ficar mais cheia, o esvaziamento era mais evidente. “Meio-dia, o pessoal começa a sair dos prédios. Fica quase todo mundo tropeçando um no outro. Na sexta-feira, a gente já sentiu a diferença”, conta a recepcionista Maria Lima, de 42 anos, que trabalha em um restaurante da região.

A procura por álcool gel também é frequente. “Virou o produto mais cobiçado do momento”, descreve Maria Nilvanda Souza, de 44 anos, proprietária de uma loja de cosméticos em uma travessa da Faria Lima. “Ligaram até pedindo caixa fechada de máscaras, que eu nunca tive para vender.”

A empresária recebeu 16 novas unidades de álcool gel na quinta-feira, que se esgotaram em duas compras no mesmo dia. Mesmo sem estoque, trabalhadores do entorno continuam perguntando sobre o reabastecimento. "Me prometeram (fornecer mais do produto) até segunda, agora falaram que pode chegar na quarta."

Como em outros dias, a contadora Priscila Lemos, de 46 anos, saiu com o celular e a carteira em mãos. Dessa vez, contudo, carregava mais um item: uma pequena embalagem de álcool gel. Além disso, ela e a também contadora Maria Cecília Rodrigues, de 39 anos, foram almoçar meia hora mais cedo, "para evitar aglomerações". "O restaurante está bem mais vazio que o normal."

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