EFE/Zsolt Czegledi
A equipe do aeroporto verifica as temperaturas dos passageiros que retornam de Milão como parte do procedimento de triagem de coronavírus no aeroporto de Debrecen, na Hungria. EFE/Zsolt Czegledi

Coronavírus: O que você precisa saber para viajar para a Itália

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: País acumula 283 pessoas afetadas pelo novo vírus; sete morreram e um paciente foi curado

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 08h46

O avanço do novo coronavírus pela Itália despertou a atenção dos brasileiros para uma série de questões envolvendo viagens para o país europeu. Enquanto brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras nas regiões mais afetadas, as dúvidas por aqui giram em torno de eventuais restrições impostas para quem pretende viajar para o país, quais são as regiões mais afetadas e, até mesmo, quais os procedimentos para cancelar uma viagem, se assim desejar. 

Para sanar essas e outras dúvidas, o Estado publicou um perguntas e respostas específico sobre a situação na Itália, país que acumula 283 pessoas afetadas pelo novo coronavírus, sete mortes e uma pessoa curada - os dados são oficiais do ministério da saúde italiano e atualizados até esta terça-feira, 25, às 12h (horário local de Roma); Confira o perguntas e respostas

Há alguma restrição de viagem à Itália por causa do novo coronavírus?

Por enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação deste tipo e o Brasil também não deu essa orientação para a população. Alguns países, porém, já estão tomando essa decisão, como Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia, Irlanda, Israel, de acordo com o jornal italiano La Repubblica. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos recomendaram a seus viajantes cuidado. Já a França está colocando em quarentena viajantes que retornarem da Lombardia e do Vêneto, as mais afetadas, também de acordo com o jornal. O governo brasileiro só tem recomendado evitar viagens à China. 

Quais regiões da Itália são as mais afetadas?

A porção norte da Itália é a que concentra a maior parte dos 229 casos já identificados, em especial os estados da Lombardia e do Vêneto. Pelo menos 11 cidades foram colocadas em quarentena: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas, e Vo 'Euganeo, no Vêneto, com quatro mil habitantes.

Devo cancelar minha viagem à Itália?

Apesar de a taxa de transmissão ser alta, a maior parte dos casos é leve e a taxa de mortalidade é de 3% para os casos mais graves. Pessoas jovens, sem nenhuma outra comorbidade, podem viajar, mas é preciso tomar precauções, visto que a doença pode ser transmitida, mesmo não causando sintomas.  Segundo a OMS, dos registros na Itália, quatro em cada cinco infectados tiveram sintomas leves ou nenhum sintoma.  

Se quiser cancelar a viagem, a companhia aérea me reembolsa?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é direito do consumidor a proteção à sua vida e sua saúde, então, diante da epidemia, é possível negociar com companhias aéreas e agências de turismo. Como ainda não há recomendação da OMS para se evitar viagens, a decisão deve ser tomada caso a caso. Viajantes que iriam para eventos que forem cancelados também podem usar isso como argumento.

Se viajar à Itália, quais cuidados devo tomar?

Os cuidados são semelhantes aos da gripe. Lavar sempre as mãos, manter distância de 1,5 metro a 2 metros das pessoas infectadas ou que apresentem algum tipo de infecção respiratória, principalmente se forem provenientes de alguma região de risco. Outra medida que pode ajudar é o uso de máscaras.

Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos vindos da Itália

A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Brasil está pronto para enfrentar avanço do novo coronavírus, diz representante de secretários estad

Presidente do Conass, também secretário de Saúde do Pará e ex-ministro do Desenvolvimento Social, afirma que a rede pública do País está preparada para realizar os atendimentos mesmo que haja grande número de casos da doença

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - Os secretários estaduais de saúde avaliam ser questão de tempo até o Brasil ter um caso confirmado do novo coronavírus. Apesar disso, consideram que o País está pronto para conter o avanço da doença e tratar os pacientes. Segundo Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), os Estados já enviaram ao Ministério da Saúde planos de contingência, que incluem a lista de hospitais de referência e medidas para detectar a doença. 

“Já estão identificados os hospitais e, no caso de a doença evoluir, as providências serão tomadas. Eu diria que sim, o Brasil está preparado”, disse Beltrame ao Estado nesta segunda-feira, 23.

O presidente do Conass, também secretário de Saúde do Pará e ex-ministro do Desenvolvimento Social, afirma que a rede pública está preparada para realizar os atendimentos mesmo que haja grande número de casos da doença. Para Beltrame, as pesquisas têm indicado que cerca de 85% dos casos de novo coronavírus são leves e “vão ter efeitos de um resfriado comum”. 

Em casos mais graves, segundo o representante dos secretários estaduais, a ideia é aproveitar uma estrutura que será montada só para tratar desta doença. “No Pará, por exemplo, estabelecemos onze hospitais como de referência para casos mais graves. Vamos fazer isolamento de quartos convencionais e colocar equipamentos de cuidado intensivo neles. Não vejo grande dificuldade de preparar isso no curto prazo. O Ministério da Saúde já anunciou a locação de mil leitos de UTI, quando necessário”, disse. Segundo informou a pasta, o processo de contratação ainda está em andamento.

Nos planos apresentados pelos Estados, segundo Beltrame, foram consideradas como fatores de maior preocupação a fronteira com a Venezuela, em Roraima, e a grande circulação de estrangeiros no Aeroporto de Guarulhos. "Tivemos eventos relacionados ao sarampo vindo da Venezuela. Roraima precisa de atenção. O ministério está cuidando disso, junto ao governo do Estado. O plano de contingencia lá tem essa questão, muito vulnerável, que é a fronteira com a Venezuela. Ali, a vigilância terá de ser intensiva", afirmou. 

Apesar do alerta, o presidente do Conass descartou a possibilidade de fechamento de fronteira no momento. “O Brasil, ou qualquer país, não pode se transformar numa ilha. Não é razoável do ponto de vista econômico nem de saúde pública.” O secretário disse ainda haver “total alinhamento” dos Estados com as diretrizes do ministério sobre o enfrentamento do vírus. O método de coleta de materiais de pacientes e exames para detecção da doença é padronizado, exemplifica ele. 

Para Beltrame, o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma vantagem ao Brasil, pois há canais de diálogo permanente entre a União, Estados e municípios. “Nos países em que interlocução não é tão frequente, o que a gente vê é um ‘corre-corre’, 'bate-cabeça' de gente falando coisas diferentes. Desde o começo do novo coronavírus o nosso porta-voz é sempre o Ministério da Saúde.”

Medidas como a ampliação da lista de países em alerta, na avaliação do secretário de Saúde do Pará, não devem ser entendidas como desespero do Brasil. “É natural que haja apreensão quando surgem casos como na Itália. A principal ideia que deve ser passada é: a ampliação do número de países não é sinal que o novo coronavírus está chegando no Brasil.

Tem de ser entendido como medida adicional e de ampliação da sensibilidade do sistema. Não significa que estamos muito assustados e fazendo coisas que não estavam previstas. Estamos cumprindo plano de contingência”, disse.

O ministério dobrou nesta segunda-feira, 24, a quantindade de países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo estadao.com.br, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

EUA recomendam evitar viagem a Coreia do Sul por causa do novo coronavírus

País asiático é o que concentra maior número de casos da doença depois da China; Seul não descarta adotar algum tipo de quarentena

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 23h25

WASHINGTON E SEUL - Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), do governo dos Estados Unidos, passaram a recomendar nesta segunda-feira, 24, aos cidadãos americanos que evitem viagens não essenciais a Coreia do Sul por causa da explosão de casos do novo coronavírus no país asiático.

Depois da China, epicentro do surto, a vizinha Coreia do Sul é o país que mais concentra registros da doença, com quase 900 infectados e sete mortes. Seul já admite a possibilidade de adotar medidas de quarentena para frear o avanço do vírus, mas ainda não detalhou ações. 

A mesma orientação para evitar viagens não essenciais já havia sido feita por Washington em relação ao território chinês, o que motivou críticas de Pequim. A Organização Mundial da Saúde não recomenda veto a viagens.

O governo brasileiro não aconselha restrições de viagem e pede somente que cidadãos evitem idas à China. Passageiros vindos de China e Coreia do Sul com sintomas do coronavírus, como febre forte e tosse, serão monitorados pelo Ministério da Saúde. 

O governo sul-coreano monitora e faz testes para identificar se há infecção em outros 13.273 pacientes. Seul afirmou, porém, que as medidas de contenção da epidemia não devem ser tão drásticas quanto aquelas tomadas em Wuhan, região na China central em que começou o surto, ou em 11 cidades no norte italiano, onde já foram registrados sete mortes desde o fim de semana.  /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.