Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Coronavírus: países aumentam restrições de viagens e aceleram repatriações

Estados Unidos foi um dos primeiros a repatriar cidadãos e emitiu aviso pedindo que americanos não viajem para a China; Japão, Alemanha, Canadá, entre outros, organizam voos de volta

Da Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 16h28

PEQUIM - Diante da declaração de emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por causa do avanço do coronavírus, diversos países estão repatriando seus cidadãos, tomando medidas de precaução e também protegendo as fronteiras. Vietnã, Mongólia, Cingapura, Israel, além de Guatemala e El Salvador - os dois primeiros na América Latina -  decidiram vetar a entrada em seus territórios de viajantes vindos da China. 

O coronavírus já deixou 213 mortos na China e mais de 10 mil infectados. Mais de 100 mil pessoas estariam sob observação. "Estou cheio de culpa e remorso. Se eu tivesse tomado medidas restritivas antes, o resultado teria sido melhor do que é hoje", disse Ma Guoqiang, secretária do Partido Comunista Chinês (PCC) em Wuhan, epicentro do surto. 

Os Estados Unidos e o Japão foram os primeiros países a evacuar uma parte de seus cidadãos na quarta-feira, 29.  Dos 195 americanos que chegaram a uma base militar na Califórnia, nenhum apresentou sintomas do vírus. Todos permanecerão isolados por 72 horas. Além disso, os Estados Unidos emitiram um aviso de viagem de nível quatro, pedindo aos americanos que não "viajem" para a China devido à epidemia. Por outro lado, no Japão, dos 206 repatriados, três foram infectados, somando os outros oito casos já registrados anteriormente.

Reino Unido e França também estão repatriando cidadãos. Um avião que transportou 83 britânicos e 27 outros estrangeiros, fretados em cooperação com as autoridades espanholas, aterrissou na base aérea de Brize Norton, cerca de 120 km a oeste de Londres. Um avião francês com 200 passageiros de Wuhan pousou nesta sexta-feira no sul da França. Os evacuados permanecerão em observação e isolados por 14 dias, perto de Marselha.

Outros países, como Itália, Alemanha, Canadá e Blangladés, também organizam suas próprias operações de repatriamento.

Grandes empresas como Toyota, IKEA, Starbucks, Tesla, McDonald's e Foxconn decidiram suspender temporariamente sua produção ou fechar suas lojas na China.

O embaixador chinês na ONU em Genebra, Xu Chen, disse que "não há necessidade de entrar em pânico desnecessariamente ou tomar medidas excessivas" e observou que "a OMS confia plenamente na China".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, criticou as medidas de Washington, observando que "elas não são corretas ou apropriadas." "Os Estados Unidos apressaram-se a ir na direção oposta (à OMS). Certamente, não foi um gesto de boa vontade", acrescentou Hua.

Após uma reunião em Genebra, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou nesta quinta-feira, 30, a epidemia "emergência de saúde pública de âmbito internacional". "Nossa principal preocupação é a possibilidade de o vírus se espalhar para países com sistemas de saúde mais frágeis. Isso não significa que desconfiamos da China", acrescentou.

No entanto, ele disse que "a OMS não recomenda e se opõe a quaisquer restrições" a viagens ou comércio com a China.

Situação em Wuhan

Wuhan, uma cidade com cerca de 11 milhões de habitantes, está literalmente isolada do mundo desde 23 de janeiro, para tentar conter a propagação da epidemia. Os hospitais estão sobrecarregados. Para lidar com o problema, está prevista a abertura de dois novos hospitais nos dias 3 e 6 de fevereiro.

Os 56 milhões de pessoas que vivem na área isolada, na província de Hubei, não podem deixar a região. Entre eles, existem milhares de estrangeiros.

Antes da decisão de várias companhias aéreas de suspender ou diminuir seus vôos para a China, o governo de Pequim anunciou também nesta sexta-feira sua decisão de enviar aviões para repatriar seus cidadãos no exterior, em particular os originários da cidade de Wuhan, epicentro do epidemia

Essa decisão se deve às "dificuldades práticas que os cidadãos de Hubei, especialmente os da cidade de Wuhan, enfrentaram no exterior", disse Hua./ AFP

 

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