Shannon Stapleton/Reuters
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Coronavírus: quais os riscos para gestantes, lactantes e recém-nascidos?

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Estudos apontam que formas graves da doença não ocorreram em grande escala entre grávidas e bebês; evitar aglomeração e visitas de pessoas doentes são recomendações

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 19h46

Mesmo com os estudos que apontam que os casos do novo coronavírus, a covid-19, não evoluíram para formas graves em gestantes, grávidas devem seguir as orientações de higienizar as mãos e evitar aglomerações diante do avanço da doença no Brasil. Manter a carteira de vacinação atualizada e evitar idas ao pronto-socorro caso fiquem resfriadas também são orientações. O Estado ouviu especialistas para tirar dúvidas sobre os cuidados que devem ser tomados pelas futuras mães.

Grávidas têm mais chances de pegar coronavírus?

Não. As infecções, de um modo geral, podem acometer qualquer pessoa, o que muda é que algumas doenças podem se estabelecer de forma mais grave em alguns pacientes.

Quais são os riscos do coronavírus para a gestação?

Estudos realizados até o momento não apresentaram riscos à vida para este grupo. "No caso do H1N1, as gestantes foram consideradas grupo de risco. Neste caso, até este momento, a população acometida de forma mais graves são os idosos. É uma infecção que estamos aprendendo no dia a dia e ela não tem se mostrado grave ou mais frequente em gestantes e crianças, diferentemente da situação do H1N1, que as grávidas tinham evolução mais grave", explica Silvana Maria Quintana, coordenadora científica de Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) e professora associada em Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).  

Como gestantes podem se prevenir do coronavírus?

As grávidas devem fazer a higienização das mãos com água e sabão - caso não tenha como lavar as mãos, como ao sair do transporte público, usar álcool em gel -, evitar tocar rosto, boca e nariz. Não ir ao pronto-socorro caso apresente sintomas leves, pois há o risco de ter contato com pessoas contaminadas, não ter contato com pessoas doentes. E evitar aglomerações. "Apesar de tudo que vai ver e ouvir, a grávida precisa ter calma e não entrar em pânico. Também deve evitar ambientes cheios de gente, aproveitar para inserir o parceiro neste contexto, ficar em casa, trazendo mais conexão para o relacionamento", recomenda Alberto Guimarães, ginecologista, obstetra e criador do programa Parto sem Medo.

O coronavírus pode ser transmitido da mãe para o bebê?

Até o momento, um estudo que verificou a transmissão vertical do novo coronavírus não detectou a presença do vírus no líquido amniótico, no sangue do cordão umbilical, no leite materno nem em coleta de orofaringe de recém-nascido. A amostra é pequena, mas é o que a comunidade científica tem como dados atualmente. "Em princípio, em todos os casos de gestante, não tivemos má-formação no feto, como teve no zika", diz Silvana.

Quando grávidas com suspeita de coronavírus devem ir para o hospital?

As gestantes devem procurar ajuda médica ao apresentar febre que se mantém alta e dificuldade para respirar. Caso tenha sintomas leves, o ideal é conversar com o ginecologista e não se automedicar. "Ela deve se hidratar bastante, com água, suco e chá, ficar mais em casa, lavar o nariz com soro fisiológico", explica a professora.

Qual tratamento contra o coronavírus indicado para gestantes?

Ainda não há tratamento para a doença. "Não tem remédio para vírus. Tudo o que a gente ouve falar não traz benefício nenhum e os remédios podem ser maléficos, principalmente para o bebê", explica Silvana. 

A grávida pode se proteger do coronavírus tomando alguma vacina?

Ainda não há um imunizante contra a doença, mas é importante que a mulher mantenha a carteira de vacinação atualizada.

"É preciso estimular a gestante a tomar a  vacinar contra o H1N1. A grávida que é acometida pelo H1N1 tem risco de uma evolução muito rápida e de morrer antes de receber os primeiros cuidados", alerta Guimarães. 

Bebês recém-nascidos são mais vulneráveis ao coronavírus? E no caso de prematuros?

"Toda infecção viral pode ser mais grave para a criança recém-nascida, especialmente se for prematura, porque o sistema imunológico está em amadurecimento. Quem está doente, não tem de visitar um recém-nascido, independentemente de ser coronavírus ou outra doença", alerta Silvana.

Mães com coronavírus podem amamentar?

Sim, tendo em vista o benefício da amamentação, mas a mãe deve adotar medidas como higienizar as mãos e usar máscara. A mãe também pode ordenhar o leite e oferecê-lo em algumas mamadas. Ela pode contar com a ajuda de outra pessoa para fazer a higienização dos objetos usados na ordenha.

Para evitar o coronavírus, devo evitar visitas durante a gravidez e após o parto?

O ideal é receber visitas apenas das pessoas mais próximas, contanto que elas não estejam doentes. As visitas devem ser curtas. "A gente tem o hábito de cumprimentar, dar abraço, mas precisa deixar de fazer isso por algum período como medida importante para diminuir essa transmissão", recomenda Guimarães.

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