REUTERS / Nacho Doce
Uma mulher e sua filha chegam ao aeroporto Josep Tarradellas Barcelona-El Prat da China, onde casos de novos coronavírus foram confirmados em Barcelona, na Espanha. REUTERS / Nacho Doce

Coronavírus se desloca pela Europa e Oriente Médio; EUA se preparam para enfrentar epidemia

Centenas de casos confirmados na Itália e dezenas de novos no Irã provocam alerta mundial

The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h59

Novos casos do coronavírus surgiram na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. As bolsas de todo mundo caem. As autoridades de saúde nos Estados Unidos alertam que é apenas uma questão de tempo para o vírus invadir as costas americanas. Um clima político tóxico em Washington complica ainda mais o desafio de saúde pública.

Esses alertas persistentes e preocupantes provocaram nervosismo em todo o mundo na quarta-feira, 26, mesmo que a epidemia aparentemente esteja regredindo na China.

Pela primeira vez, mais casos novos foram reportados fora da China do que dentro deste país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O número de pessoas infectadas na China na terça-feira era de 411; no resto do mundo foi 427. O número total de pessoas com o vírus chegou agora a 80.980 no mundo todo, com a morte de três mil pessoas.

Na União Europeia, onde as fronteiras são abertas entre as nações membro novos casos foram registrados na Áustria, Croácia, França, Alemanha, Grécia, Espanha e Suíça. Muitos estão ligados à Itália, onde as autoridades vêm lutando para conter uma epidemia que já atingiu pelo menos 325 pessoas, a maioria no norte perto de Milão.

Autoridades do bloco advertiram que os países precisam fazer mais na sua preparação para novos surtos e no sentido de uma resposta mais coordenada.

Três hotéis - na Áustria, na França e nas Ilhas Canárias, na Espanha - foram fechados esta semana depois que hóspedes foram testados positivos para o vírus. As medidas para limitar o contágio diferem de lugar para lugar, mas agrupamentos de pessoas foram os primeiros a serem cancelados em cidades e vilarejos onde o vírus foi detectado.

Na Ásia, as autoridades chinesas alertaram que a queda no número de infectados pode ser apenas temporária, ao passo que dirigentes sul-coreanos ainda estão lutando para conter o maior surto do vírus fora da China. O Exército dos Estados Unidos confirmou que um soldado estacionado na Coreia do Sul foi testado positivo para o vírus.

Com as autoridades de saúde americanas se preparando para uma epidemia de coronavírus nos Estados Unidos, o governo Trump tem sido alvo de críticas de parlamentares republicanos e democratas por suas declarações contraditórias sobre a gravidade da crise, a falta de transparência e uma preparação displicente para fazer face a uma epidemia.

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Coronavírus: Veja o que já se sabe sobre a doença

Um vazamento de amônia líquida em uma unidade de refrigeração em uma instalação de armazenamento a frio em Xangai matou ontem 15 pessoas e feriu outras 26, informaram autoridades locais. O vazamento ocorreu na Weng's Cold Storage Industrial Co., localizada no distrito de Baoshan. A China, segunda maior economia do mundo, tem um histórico de problemas de segurança no trabalho. Em junho, 120 pessoas morreram em um incêndio em uma unidade de processamento de frango em Jilin.

Ministério da Saúde confirma 1º caso de coronavírus; há 20 outros casos suspeitos

Medidas de controle e prevenção continuam as mesmas; os casos suspeitos estão espelhados em Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2)

Mateus Vargas e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h07
Atualizado 01 de abril de 2020 | 14h44

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde confirmou na manhã desta quarta-feira, 26, o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça, mas informou que as medidas adotadas de vigilância e controle devem continuar as mesmas que já vinham sendo adotadas, uma vez que o País já havia decretado estado de emergência em saúde pública de interesse nacional. Há outros 20 casos suspeitos.

Em coletiva à imprensa, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que neste momento está sendo feito um trabalho de mapeamento para identificar todos os passos e contatos deste primeiro paciente.

O homem, de 61 anos, ficou na Itália entre 9 e 20 de fevereiro. Ele chegou a São Paulo no dia 21 vindo de aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, sem sintomas, como tosse, febre ou gripe. No domingo, ele fez uma reunião familiar com 30 pessoas e foi quando começou a sentir os primeiros sintomas; na segunda-feira, 24, ele procurou o Hospital Albert Einstein.

“Em função do nexo com a Itália, o pronto-atendimento teve padrão de excelência. Coletou o material. E ao confirmar que era positivo, fizemos a contra-prova, por controle, mas já adotamos todas as medidas de prática de atenção da saúde”, afirmou Mandetta. O ministro elogiou a rapidez com que o Instituto Adolfo Lutz confirmou a contaminação em apenas algumas horas.

“Mudamos a definição de casos (para incluir mais países em que a origem seria suspeita de risco) às 17h30 da segunda e ele procurou o Einstein às 19h30”, disse Wanderson Kleber de Oliveira, da Secretaria de Vigilância em Saúde. Segundo ele, os 20 casos suspeitos estão espalhados por: Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2). Já foram descartadas 59 suspeitas

Desses 20, 12 viajaram da Itália, 2 da Alemanha, 2 da Tailândia, um da China e um da França. Um dos casos suspeitos é por contato com o indivíduo que foi confirmado e outro por contato com um suspeito. "Isso mostra que tivemos velocidade para se adaptar as novas definições durante o carnaval. O sistema de saúde está em alerta total", afirmou Oliveira.

Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da Latam divulgou pela manhã uma nota em que dizia que foi "notificada pela Anvisa sobre o caso mencionado" e tinha passado "informações solicitadas pelas autoridades competentes – incluindo os detalhes do voo, da tripulação e a lista oficial de passageiros". Pela tarde, a assessoria de imprensa retificou a informação e disse que "errou ao informar que a empresa foi notificada pela Anvisa sobre o tema". "A Latam reforça que não foi notificada pela Anvisa sobre esse caso."

Este é o primeiro caso na América Latina.  Segundo o ministro, a confirmação do primeiro caso aumenta a vigilância e os preparativos das autoridades para atendimento no País. “O status sanitário não muda porque já tínhamos adotados as medidas dias atrás. É uma síndrome gripal, mais grave nas pessoas de mais idade. Os jovens são muito poupados”, disse o ministro. 

“Entendo a preocupação da Itália, porque lá tem uma população de muitos idosos. Aqui vamos ver agora como o vírus vai se comportar em um país tropical, em pleno verão. É um vírus novo. É um vírus novo. Pode manter o padrão que já vem se apresentando no hemisfério norte e agora aqui no sul.”

De acordo com Mandetta, pessoas que estavam no mesmo voo que o paciente confirmado e sentados perto dele estão sendo contactadas pela Anvisa para que fiquem atentas a eventuais sintomas como tosse e febre. Caso apresentem esse quadro, mesmo que eles não tenham vindo dos países que estão sob alerta, devem se comunicar com as autoridades de saúde. São considerados de interesse os 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do passageiro. 

Pessoas que tiveram contato com o paciente também serão monitoradas. "A partir daí (da confirmação da contaminação) começa um trabalho de localização de quais são os contatos que ele teve. Contatos próximos, como a esposa, e os eventuais, que são as pessoas que ficaram em alguns momentos com esse paciente", afirmou em entrevista na qual detalhou como foi feita a identificação.

Todos que tiveram na reunião familiar no domingo já estão sendo procurados. Mandetta divide os suspeitos entre os com contato próximo, como a esposa, que vive com ele, e os de contato eventual. Ele estima que podem chegar a 60 pessoas o total que serão contactadas. Isso não significa, porém, que todos podem ter contraído a doença. Em média, no mundo, cada pessoa que foi infectada contaminou somente outras 2 ou 3, pontuou o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis. 

Cuidados

Após a confirmação, o Ministério da Saúde reforçou medidas anteriormente anunciadas pela pasta. Entre as ações, estão aquisição de máquinas e insumos para unidades de saúde, aluguel de 1 mil leitos de cuidado intensivo caso haja necessário e orientação em aeroportos. 

"Com certeza vamos passar por essa situação aguardando, com investimento em pesquisa, ciência e clareza de informação. A população terá todas as informações que sejam necessárias para que cada um se organize e tome as devidas precauções", disse Mandetta. 

Lavar as mãos constantemente continuam sendo as medidas mais indicadas para se prevenir. Quem sentir os sintomas deve usar máscaras e evitar andar em transporte público. 

Mandetta afastou a possibilidade de fechar fronteiras ou restringir a entrada e saída de pessoas no Brasil após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no País. "Não tem como bloquear as pessoas. Isso não tem eficácia", disse. As ações estarão voltadas para a orientação de pessoas que viajaram para países com casos monitorados da doença. 

"Mundo não tem fronteira. Perguntaram: Por que não fecha? Não tem eficácia isso aí. É uma gripe, mais uma que o mundo terá de enfrentar", enfatizou Mandetta. 

Questionado sobre se brasileiros deveriam cancelar viagens para locais onde está ocorrendo a transmissão da doença, Mandetta disse que “vale a regra do bom senso”. Para ele, se a viagem não for necessária, dá para esperar para ver como a situação vai se comportar. “Mas não podemos parar a vida porque há uma gripe, uma síndrome respiratória. Daqui a pouco o Brasil pode ter casos (de transmissão) sustentados e aí tanto faz estar aqui ou lá”, disse o ministro.

Para ele, quem tiver realmente necessidade de ir, vá com os cuidados de higiene recomendados. “Sabendo que é uma gripe e que na grande maioria dos casos, os que pegam evoluem muito bem, obrigado e saem depois e vivem sua vida como se nada tivesse acontecido.” Ele defende que o que ocorre é uma "infodemia", epidemia de informações que estão gerando "ansiedade e insegurança."

Com o anúncio no Brasil e um caso na Argélia, a doença já está nos cinco continentes. “Logo mais o Organização Mundial da Saúde deve anunciar pandemia, aí não tem mais nexo de origem. A trasmissão passa a ser sustentado. Mas hoje ter essa lista ainda nos ajuda a construir raciocínio de vínculo epidemiólogico quando chegam os casos suspeitos.”

No mundo, os dados apontam para 80.239 casos confirmados e 2.700 mortes, ou seja, um índice de letalidade de 3,4%. Fora da China, o porcentual é de 1,4%. 

Oliveira afirmou que há uma tendência de estabilização dos casos na China, onde teve início a epidemia, e um "número expressivo de pessoas se recuperando da doença".

Insumos chineses

Mandetta manifestou preocupação com uma possível redução no fornecimento de insumos do setor de saúde produzidos na China. A epidemia do novo coronavírus aumentou a demanda por materiais como imunoglobulina e máscaras no país asiático, epicentro da doença e ao mesmo tempo fornecedor desses produtos para o resto do mundo. 

"(A situação) preocupa porque o mundo passou a ter a China como supplier (fornecedor). Estamos trabalhando como nossa indústria para que se possa abastecer", disse. A imunoglobulina, destacou, é um dos fatores de preocupação, mas há fornecedores em outros países para os quais o País pode recorrer.

No caso de máscaras, há uma forte demanda na própria China, o que poderia comprometer o abastecimento do produto em outros países. "Estamos vendo como abastecer com sustentabilidade o nosso país", declarou Mandetta. 

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Em dois dias papéis de empresas brasileiras perdem 9% em Nova York

Maiores perdas foram registradas em setores ligados a commodities, os mais afetados pela preocupação com o avanço do coronavírus

Marcio Rodrigues, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 11h06

Os papéis brasileiros negociados em Nova York, por meio de American Depositary Receipt (ADR), tombaram nos últimos dois dias, segunda, 24, e terça, 25 - período em que os mercados no Brasil ficaram fechados por causa do carnaval -, sobretudo os ligados a commodities, os mais afetados pela preocupação com o avanço do coronavírus.

O principal destaque negativo foi a Vale, grande exportadora de minério de ferro para a China e cujo ADR cedeu 9,63% até terça-feira. Na sequência, aparecem os ADRs da Petrobrás, que recuaram 9% no período.

Os ADRs ainda não voltaram a ser negociados nesta quarta-feira, 26, mas tais perdas dão uma ideia da intensidade do movimento que os ativos brasileiros devem experimentar na reabertura dos negócios na B3, às 13h.

Ainda entre as empresas mais afetadas, aparecem siderúrgicas: Usiminas registrou perdas de 8,84% em dois dias, enquanto o ADR da Gerdau cedeu 8,22%. Outra grande exportadora de matéria-prima para a China, a Suzano viu seu ADR recuar 6,29%, enquanto o papel da Embraer negociado em Nova York perdeu 5,50%.

Ainda entre papéis com peso relevante no Ibovespa, o ADR do Bradesco caiu 4,97% desde sexta-feira, enquanto o do Itaú perdeu 4,33%.

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Coronavírus: O que você precisa saber para viajar para a Itália

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: País acumula 283 pessoas afetadas pelo novo vírus; sete morreram e um paciente foi curado

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 08h46

O avanço do novo coronavírus pela Itália despertou a atenção dos brasileiros para uma série de questões envolvendo viagens para o país europeu. Enquanto brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras nas regiões mais afetadas, as dúvidas por aqui giram em torno de eventuais restrições impostas para quem pretende viajar para o país, quais são as regiões mais afetadas e, até mesmo, quais os procedimentos para cancelar uma viagem, se assim desejar. 

Para sanar essas e outras dúvidas, o Estado publicou um perguntas e respostas específico sobre a situação na Itália, país que acumula 283 pessoas afetadas pelo novo coronavírus, sete mortes e uma pessoa curada - os dados são oficiais do ministério da saúde italiano e atualizados até esta terça-feira, 25, às 12h (horário local de Roma); Confira o perguntas e respostas

Há alguma restrição de viagem à Itália por causa do novo coronavírus?

Por enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação deste tipo e o Brasil também não deu essa orientação para a população. Alguns países, porém, já estão tomando essa decisão, como Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia, Irlanda, Israel, de acordo com o jornal italiano La Repubblica. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos recomendaram a seus viajantes cuidado. Já a França está colocando em quarentena viajantes que retornarem da Lombardia e do Vêneto, as mais afetadas, também de acordo com o jornal. O governo brasileiro só tem recomendado evitar viagens à China. 

Quais regiões da Itália são as mais afetadas?

A porção norte da Itália é a que concentra a maior parte dos 229 casos já identificados, em especial os estados da Lombardia e do Vêneto. Pelo menos 11 cidades foram colocadas em quarentena: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas, e Vo 'Euganeo, no Vêneto, com quatro mil habitantes.

Devo cancelar minha viagem à Itália?

Apesar de a taxa de transmissão ser alta, a maior parte dos casos é leve e a taxa de mortalidade é de 3% para os casos mais graves. Pessoas jovens, sem nenhuma outra comorbidade, podem viajar, mas é preciso tomar precauções, visto que a doença pode ser transmitida, mesmo não causando sintomas.  Segundo a OMS, dos registros na Itália, quatro em cada cinco infectados tiveram sintomas leves ou nenhum sintoma.  

Se quiser cancelar a viagem, a companhia aérea me reembolsa?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é direito do consumidor a proteção à sua vida e sua saúde, então, diante da epidemia, é possível negociar com companhias aéreas e agências de turismo. Como ainda não há recomendação da OMS para se evitar viagens, a decisão deve ser tomada caso a caso. Viajantes que iriam para eventos que forem cancelados também podem usar isso como argumento.

Se viajar à Itália, quais cuidados devo tomar?

Os cuidados são semelhantes aos da gripe. Lavar sempre as mãos, manter distância de 1,5 metro a 2 metros das pessoas infectadas ou que apresentem algum tipo de infecção respiratória, principalmente se forem provenientes de alguma região de risco. Outra medida que pode ajudar é o uso de máscaras.

Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos vindos da Itália

A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

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