Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Coronavírus: Supermercados medem temperatura e usam álcool em gel para higienizar clientes

Entre as medidas adotadas para enfrentar a proliferação do coronavírus também estão horário exclusivo para idosos e placas de acrílico nos caixas

André Borges e Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 21h07

Sumido das prateleiras, o álcool em gel virou item usado para recepcionar clientes de supermercados no Brasil. O produto tem sido utilizado na entrada de muitos comércios que decidiram apoiar a higienização dos consumidores para enfrentar a proliferação do novo coronavírus. Entre outras medidas adotadas pelos supermercadistas estão horário exclusivo para idosos e reforço na higienização de carrinhos e cestos.

O Grupo Pão de Açúcar e a rede Mambo, que possui lojas em São Paulo e Barueri, por exemplo, passaram a funcionar das 6h às 7h apenas para atender a idosos. O horário exclusivo para pessoas acima de 60 anos é válido para dias úteis da semana. Também foram instaladas placas de acrílico à frente dos caixas e sinalização no chão para definir a distância de 2 metros entre cada pessoa na fila de pagamento. Ainda é recomendado que os clientes, se possível, façam as compras sozinhos.

Em relação aos produtos, os supermercados passaram a limitar a quantidade de compra de itens de higiene pessoal, limpeza e de necessidade básica, como arroz, água, leite e massas. Por meio das redes sociais, os estabelecimentos têm feito campanha de consumo consciente.

Os supermercados que tinham espaços de buffet ou café tiveram de suspender os serviços por causa das orientações do Ministério da Saúde. Além disso, não há mais degustação de comidas nos estabelecimentos.

No centro de Brasília, na porta do mercado Pra Você, o gerente da loja Celestino Silva coloca o produto nas mãos de cada cliente que chega ao local. Ele também verifica a temperatura dos consumidores com um medidor automático apontado na testa do cliente.

“A gente tem feito isso como uma ação de precaução e de orientação mesmo. Ninguém vai ser impedido de entrar na loja, se quiser, mas essa é uma maneira de informar o cliente, de chamar a atenção dele, caso ele apareça com febre, por exemplo”, diz Silva.

A pessoa com sinais de febre alta, um dos sintomas da covid-19, é orientada a aguardar sentada, do lado de fora dos caixas, enquanto um atendente pode percorrer o mercado e pegar os produtos para o cliente. O procedimento, que já está em vigor nas dez lojas na rede Pra Você, também entrou em operação em outras redes. Em todo o Distrito Federal, já foram registrados 312 casos de infecção pelo novo coronavírus e uma morte.

Nos mercados, a intenção não é fazer um diagnóstico médico, mas apenas chamar a atenção para precauções básicas que devem ser observadas por cada um, além de oferecer um serviço básico ao consumidor. “A pessoa saiu de casa e, até chegar aqui, pode ter encostado em várias coisas, vários lugares, então é uma medida importante sim, que ajuda no combate (à doença)”, afirma Silva.

A reportagem encontrou o mesmo tipo de ação em lojas do Carrefour e do Atacadão Dia a Dia, na região de Taguatinga, a 19 km de Brasília. Nas lojas, alguns clientes chegaram a entrar diretamente pelo corredor, sem passarem pela abordagem dos funcionários, mas a maioria aguardava a sua vez para ter as mãos higienizadas e a temperatura tomada. Não houve, em nenhum momento, qualquer cliente que reclamasse do procedimento.

“É mais uma medida para nos proteger. Não vejo nenhum tipo de problema em medir minha temperatura e limpar minhas mãos”, disse a bancária Carla Guerra, que foi ao supermercado com o filho, ambos de máscaras e luvas. “Se todos fizerem isso, certamente vai ajudar a diminuir os casos de contaminação, principalmente nesses momentos em que temos de sair de casa e ir para a rua, para comprar algo que precisamos.”

A medição de temperaturas tem sido vista como uma medida paliativa, já que pode resultar em algumas imprecisões. O médico e escritor Drauzio Varella já alertou que os aparelhos usados medem a temperatura da pele, que pode ser diferente daquela do resto de seu corpo. Além disso, a pessoa sem febre pode estar sob efeito de algum antitérmico que tenha tomado antes, ou ainda estar na fase de incubação da covid-19, ou seja, no período assintomático da doença.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) tem orientado que as redes façam a higienização dos equipamentos das lojas, principalmente as cestas e carrinhos usados pelos consumidores. As principais formas de contaminação são gotículas de saliva por espirro e tosse, contato com secreções, toque ou aperto de mãos.

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