Marcelo Chello/Estadão (1/12/2020)
Marcelo Chello/Estadão (1/12/2020)

Cidade de SP antecipa 5 feriados para o dia 26, altera rodízio e abre dois 'hospitais de catástrofe'

Capital paulista terá recesso até 4 de abril e abre 230 leitos de UTI

Paula Felix e João Ker, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 10h27

Correções: 18/03/2021 | 14h55

   

SÃO PAULO - O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta quinta-feira, 18, que a cidade de São Paulo irá antecipar dois feriados municipais deste ano e outros três de 2022 para os dias 26, 29, 30 e 31 de março, e 1º de abril. Somados com o fim de semana e a Páscoa, a capital terá dez dias seguidos de recesso. A medida tem o objetivo de reduzir a circulação de pessoas em meio a um cenário de explosão de casos e falta de leitos para covid-19 no País.

Os cinco feriados antecipados são os de Corpus Christi (3 de junho) e Consciência Negra, deste e do próximo ano, e o próximo aniversário de São Paulo, celebrado em 25 de janeiro. Questionado sobre a efetividade da medida e o impacto que ela poderia ter no fluxo de moradores da capital para cidades litorâneas, Covas respondeu: "Certamente, as pessoas que já estão pensando em se aglomerar na praia são aquelas que também já não respeitam a decisão de não se aglomerar na cidade de São Paulo. São exatamente a elas que eu me dirijo ao pedir um pouco mais de compreensão e paciência". 

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, anunciou também a abertura de três "hospitais de catástrofe" na capital, direcionados ao tratamento de pacientes com covid. Eles serão implementados nas próximas 24 horas em Jabaquara (100 leitos de UTI e 260 de enfermaria), Itaquera (130 leitos de UTI e 50 de enfermaria) e outros 100 na Vila Maria, que ainda não foram detalhados. De acordo com o prefeito, ao menos 475 pacientes de coronavírus aguardavam por uma vaga em UTI na capital durante esta manhã. 

O rodízio de veículos também será alterado e os horários de 7h às 10h e de 17h às 20h serão liberados, com o objetivo de diminuir a pressão sobre o transporte público. A partir da próxima segunda-feira, 22, a restrição de circulação vale no horário de 20h até as 5h da terça-feira, começando pelos veículos com placa de final 1 e 2. Na noite de terça para quarta-feira, não estão permitidos aqueles com placa de final 3 e 4 e, assim, sucessivamente, até a noite de sexta-feira para sábado, quando é a vez dos veículos com placas de final 9 e 0. De acordo com Covas, também não haverá alteração na frota do transporte público.        

Covas lamentou a morte de um paciente que não conseguiu uma vaga na UTI. "Tivemos o primeiro caso registrado, na zona leste da cidade de São Paulo, de uma pessoa que faleceu sem conseguir ser atendida. Ontem, nós tínhamos 395 pessoas aguardando vaga na cidade de São Paulo nos nossos leitos municipais. Hoje, são 475 pessoas aguardando vaga. Chegamos a 88% de ocupação dos nossos leitos de UTI. É um momento de extrema dificuldade."

O paciente Renan Ribeiro Cardoso tinha 22 anos e morreu no Pronto Atendimento São Mateus II no último dia 13, após a unidade solicitar uma transferência por meio da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), da Secretaria de Estado da Saúde. "Não deu tempo por falta de socorro. Por falta de oxigênio, o meu filho não está aqui", disse a mãe de Renan, Maria de Jesus Ribeiro Andrade em entrevista à TV Globo.

Ela disse que conversou com o filho por videochamada após a confirmação do diagnóstico. "Gente, não deixem mais nenhuma mãe, nenhum pai sofrer o que eu estou sofrendo pela perda do meu filho."

Covas disse ainda que a cidade tem a mesma quantidade de leitos do momento mais crítico da pandemia no ano passado, mas com taxa de letalidade menor, pois os profissionais de saúde, segundo ele, estão mais preparados para fazer o atendimento dos pacientes com covid-19.

Coordenadora do FGVSaúde, Ana Maria Malik explica que apesar de o CROSS indicar que há vagas para leitos de UTI na capital, a transferência de um paciente não é tão simples quanto parece. "Pode acontecer de o paciente sair do leito, mas a vaga ainda não estar disponível, porque ainda não foram buscá-lo ou algo assim. Ou de não ser uma vaga para covid-19, então o paciente não poderia ir para lá", aponta, complementando que o sistema é importante para se ter uma noção da oferta de vaga no Estado e que essa regulação é "o diferencial de um sistema de saúde".

"É preciso dar tempo para a desinfecção, ver se tudo está em ordem, se o oxigênio acoplado está funcionando. O sistema é complexo, não é como vaga em um avião. E mesmo assim, ainda há vagas reservadas ou que não podem ser ocupadas em um avião", aponta. 

Diante do grave cenário do Estado e na capital, a Promotoria de Justiça de Direitos Humanos solicitou esclarecimentos à Prefeitura e ao governo do Estado em relação às medidas adotadas para conter o avanço do vírus, com questionamentos sobre quais critérios estão sendo usados como base para não adotar o lockdown e as medidas tomadas para conter o contágio no transporte público.

Mortes por falta de leitos

Levantamento do Estadão apontou que ao menos 90 pacientes com covid-19 já morreram na fila por vaga em hospital no Estado de São Paulo neste mês. Os dados são de 25 municípios.

Os casos ocorreram nos seguintes municípios: Alumínio (1), Araçatuba (4), Bauru (15), Buri (4), Cabreúva (1), Caieiras (1), Capela do Alto (2), Diadema (5), Dracena (3), Francisco Morato (2), Franco da Rocha (8), Itajobi (1), Itapecerica da Serra (2), Itapetininga (1), Itararé (2), Jales (3), Joanópolis (1), Nhandeara (1), Ouroeste (4), Ribeirão Pires (8), Rio Grande da Serra (2), Taboão da Serra (14), Santa Adélia (1), Sumaré (1) e Urânia (3).

Correções
18/03/2021 | 14h55

Diferentemente do publicado na primeira versão da matéria, o aniversário da cidade de São Paulo é em 25 de janeiro, não no dia 15. 

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