Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Covas libera bares e restaurantes, que só poderão ficar abertos até as 17 h

Prefeitura havia negociado anteriormente com setores a abertura até as 22 horas, mas teve de se adequar à recomendação do governo do Estado

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2020 | 11h46

Os protocolos de segurança sanitária que liberam o funcionamento parcial de bares, restaurantes, salões de beleza e barbearias na cidade de São Paulo a partir desta segunda-feira, 6, foram assinados na manhã deste sábado, 4. Eles podem abrir seis horas por dia, até as 17 horas. A Prefeitura havia negociado com os setores de bares e restaurantes que os horários, enquanto durar a pandemia, poderiam ser até as 22 horas, mas o limite de fechamento teve de ser adaptado para se encaixar nas normas determinadas pelo governador do Estado, João Doria (PSDB).  . 

A cerimônia de assinatura dos protocolos pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) foi transmitida pela internet, mas não houve espaço para jornalistas fazerem perguntas. O presidente da Câmara Municipal, Eduardo Tuma (PSDB), primeiro a falar, destacou que restaurantes que funcionam exclusivamente à noite, como pizzarias e restaurantes japoneses, terão de permanecer fechados graças à determinação do governo.

“Faço aqui um apelo público ao governo do Estado, que limitou até as 17 horas. Não me parece lógico que assim seja do ponto de vista da saúde e ainda mais do ponto vista econômico”, disse Tuma. Ele argumentou ainda que a abertura mais ampla evitaria aglomerações.

Na sexta-feira, a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, comentou sobre os limites de horário em uma coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. Ela disse que havia essa determinação porque a abertura se dava para permitir a retomada econômica desses locais mas sem deixar a saúde pública de lado, evitando que as pessoas ficassem até tarde nas mesas. 

Covas não tocou no assunto abordado por seu aliado, e preferiu destacar que a liberação desses setores econômicos não significa que a atenção com relação à propagação do coronavírus possa ser diminuída. “Apesar dessa flexibilização, a pandemia não acabou”, afirmou.

“Claro que estamos melhor do que há algumas semanas, quando chegamos a ter 92% de ocupação dos leitos de UTI”, afirmou o prefeito, ao apresentar um balanço da evolução da doença e das ações adotadas por sua gestão até o momento. Com menos casos novos e mais leitos de internação, a taxa de ocupação das UTIs nesta sexta-feira estava em 62%.

Entenda os novos protolocos

O protocolo com bares e restaurantes é um documento de nove páginas que estabelece que os estabelecimentos devem ser desinfetados antes da reabertura e que funcionários que apresentem sintomas da doença devem fazer o teste para o coronavírus do tipo RT-PCR, tido como o mais seguro. Mas admite a presença de trabalhadores com mais de 60 anos, grupo de risco, no atendimento ao público. 

A ocupação máxima deve ser de 40% da capacidade no momento. Se a cidade evoluir para a fase verde do plano de reabertura, poderão aumentar o limite para 60%.

Mesas deverão estar a ao menos dois metros de distância uma da outra. As cadeiras, a um metro de distância. Haverá um limite de seis pessoas por mesa. Eventos ou atividades que gerem aglomeração seguem proibidos. No caso dos restaurantes por quilo, atendentes é que deverão manipular os alimentos e servir os clientes. O uso das calçadas também segue restrito, e não é permitido atender clientes que estejam em pé.

Comerciantes se adaptam às restrições

Com quatro meses de portas fechadas, se virando em atendimentos deliverys por meio dos aplicativos – que, segundo eles dizem, ficam com cerca de 25% do tíquete da venda –, muitos dono de bares lamentam a proibição do funcionamento noturno enquanto decidem como retomar durante o dia. 

“Estou ansioso para ver como vai ser essa reabertura. É um misto de ansiedade e apreensão. A gente não consegue se planejar, porque cada hora dizem uma coisa”, diz um dos sócios da Pizza da Mooca, da zona leste, Felipe Zanuto.

“A gente estava ensaiando como movimentar as mesas na pizzaria e como seria o time, porque a gente não mandou ninguém embora”, diz o comerciante, ao relatar como faria a abertura. Ele diz que, sem demitir, usou as reservas que o restaurante tinha para manter a equipe, que estava com salário reduzido. 

A abertura, diz ele, não é garantia de que as contas fiquem menos incertas. “Mesmo estes 40% (de retorno) não resolvem, só ajudam a aliviar”, conta. 

Para Zanuto, a questão do horário não faria tanta diferença, uma vez que estão adotando toda as regras para garantir a segurança do negócio em meio à crise.

“Já estamos com time reduzido, investimos em compras de equipamentos, consultorias com nutricionista, para boas práticas, tomando todos os cuidados possíveis. Com todas as medidas, distância, funcionários de máscara, seguindo todos os protocolos, é menos risco do que o que eu faço todo dia, que é ir no mercado com alguém do meu lado toda hora”, afirma. 

Já para Jean Ponce, um dos sócios do bar Guarita, de Pinheiro, zona oeste,  a reabertura não é uma opção, mas sim uma necessidade. “Tudo que havíamos previsto de investimento para o próximo ano, colocamos no fluxo. E já foi embora”, afirma, relatando o esforço para evitar demissões dos 102 funcionários. “Não tenho escolha. Temos de abrir.”

“Todos os sócios já foram funcionários. Desde o começo, a gente pensou que, se uma pessoa fica desempregada hoje, não arruma emprego nos próximos seis meses”, afirma, ao explicar porque mantiveram a equipe. “Mas quem não demitiu até aqui não aguenta mais um mês fechado”, diz.

O Guarita, antes da crise, abria às 17h. Agora, terá de se adaptar, se encaixando no horário determinado pelas autoridades sanitárias, mas os sócios pretendem não mudar a proposta do lugar, que é famoso pelos drinks. “Não vou abrir para o almoço. Vou abrir o bar durante o dia”, afirma Ponce, ao destacar que muitos clientes vinham fazendo pedidos para entrega.

 

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