Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Covid-19: O que fazer para se proteger do aumento de casos da doença?

Vacinação de reforço, retomar o uso de máscaras e medidas básicas de higiene são respostas eficazes

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2022 | 08h14
Atualizado 06 de junho de 2022 | 13h11

As internações por covid-19 subiram quase 300% em hospitais privados de São Paulo. Nas escolas, o ensino remoto volta a ser uma opção diante de nova alta de casos. Enquanto isso, a vacinação segue em ritmo considerado lento, com apenas o Estado de São Paulo com mais da metade da população total com a terceira ou quarta aplicações. 

Na última semana, a média foi de 87 óbitos pela doença no País, que tem, no total, mais de 667 mil mortos. O cenário ainda é distante dos picos de casos até o início deste ano, mas levanta um alerta pela retomada da alta em maio dos números, que vinham com uma tendência de baixa desde fevereiro.

Diante do cenário de retomada de contaminações, é importante relembrarmos as medidas a serem adotadas e que protegem contra o vírus. E, aqui, não há segredo e todos devem saber: vacina, máscara e lavar bem as mãos são as medidas que afastam a possibilidade de infecção pela covid-19.

Vacinação

A imunização, inclusive com as doses de reforço, é importantíssima para evitar casos graves, reforçam os especialistas. O governo do Estado de São Paulo começou nesta segunda, 6, a aplicação da quarta dose da vacina contra a covid nas pessoas com mais de 50 anos de idade e em todos os profissionais de saúde. Serão aplicadas doses da Pfizer, AstraZeneca e Janssen em quem já tenha recebido a terceira dose há ao menos quatro meses. Se você está habilitado, procure um posto de saúde. Se não tomou a terceira dose ainda, vá até uma unidade de saúde também.

Em todo o País, 16,8% dos brasileiros ainda não tomaram a primeira dose da vacina, e 22,5% não receberam a segunda. Entre as crianças (5 a 11 anos), 38,5% não estão vacinadas com a primeira dose, e 65% não estão imunizadas com as duas doses.

A cobertura vacinal insuficiente favorece a circulação do vírus na população geral – ainda mais durante o outono e inverno, época propícia para doenças respiratórias.

“Com o avanço da vacinação, vemos que os casos graves estão diminuindo, as vacinas estão protegendo contra todas as variantes virais, mas elas não inibem a transmissão da doença”, explica o infectologista Marcos Moura, reforçando a eficácia da imunização para diminuir internações e casos graves.

Máscara

No dia 1º, o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid de São Paulo decidiu recomendar máscaras em escolas. Um dia antes, o Comitê Científico, grupo que assessora o governo do Estado sobre a pandemia, tinha pedido o uso da proteção em ambientes fechados.

Essas recomendações não alteraram a lei e, portanto, as máscaras continuam obrigatórias apenas no transporte público e em unidades de saúde. Mas, diante da alta, é recomendável voltar a adotar o equipamento de segurança, sobretudo em ambientes fechados. 

Sobre as máscaras, é importante lembrar: os equipamentos de tecido foram considerados soluções temporárias durante o pico da pandemia. Opte pelas máscaras cirúrgicas ou, ainda melhor, a N95 ou PFF2 – estas últimas contam com uma camada de filtragem eletroestática, sendo capazes de filtrar mais de 90% das partículas.

O infectologista Rodrigo Souza reforça que é essencial que a máscara esteja bem ajustada ao rosto. “Não adianta ter uma máscara que fique folgada, porque dessa forma o ar passa”, explica.

Higienização das mãos

Amplamente difundidas no pico da pandemia, as medidas básicas de higienização, como a lavagem frequente das mãos com sabão – ou higienização com álcool em gel, quando não for possível –, continuam a ser importantes e devem ser estimuladas tanto na rua, quanto no ambiente de trabalho ou em casa.

Testagem

A pessoa com sintomas deve buscar uma unidade de saúde ou uma farmácia para realizar um teste ou adquirir um autoteste para descobrir se está com a doença. Neste caso, o isolamento é importante para conter a contaminação entre amigos, familiares e colegas de trabalho.

“Pessoas que estão tossindo ou com sintomas da covid – como febre e falta de paladar – devem usar as máscaras ou evitar sair de casa, e fazer um teste até o quarto ou quinto dia após o início dos sintomas. Mesmo que não seja covid, seja outra doença viral, o ideal é que a pessoa sintomática procure tratamento médico e fique isolada”, reforça Marcos Moura.

Apesar do PCR ainda ser o melhor para detecção da doença, quando não for possível realizá-lo, os autotestes ou testes rápidos de farmácia são boas opções, afirma o infectologista. “Não se deve esperar (passar os primeiros dias de sintomas), na dúvida, já faz logo”, diz Moura.

Rodrigo Souza explica que, em uma escala de precisão, o PCR está em primeiro lugar, seguido dos testes de farmácia, e por último, os autotestes. Por isso, a decisão de qual teste realizar depende da situação que levanta a suspeita da doença. “Por exemplo, se a pessoa estiver com febre e teve contato com alguém com covid recentemente, pode fazer um autoteste ou de farmácia, mas se der negativo, deve refazer com o PCR, porque as chances de estar com a doença são altas. Mas se a pessoa está apenas com sintomas gripais, um negativo de autoteste ou teste de farmácia são suficientes”, explica.

Com um teste positivo, a pessoa deve aguardar pelo menos 5 dias em isolamento. Se continuar com sintomas, deve refazer o teste para verificar se o vírus permanece no organismo e seguir em isolamento até 10 dias.

Isolamento e aglomeração

Souza diz que o distanciamento ainda é recomendado pra quem não está com o esquema vacinal completo ou para grupos de risco.

O infectologista reforça, ainda, a importância de afastar sintomáticos do trabalho e das atividades cotidianas por pelo menos 5 dias, pois manter pessoas com chance de transmissão da doença fora do isolamento é um dos principais causadores do surto da covid em algum ambiente. “Quem tiver tido contato com uma pessoa com covid e não apresentar sintomas, não precisa se isolar, a não ser que não esteja em dia com a vacina”, afirma.

Moura destaca que idosos e pessoas com comorbidades – e pessoas que tenham contato com esses grupos de risco – devem evitar aglomerações como transporte público, shows, festas e eventos. “Enquanto a pandemia não estiver controlada, a pessoa com saúde vulnerável sempre tem risco”, diz o infectologista.

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