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Covid-19 se interioriza e está em alerta crítico em um terço do Brasil, diz Fiocruz

Nota Técnica do Observatório Covid-19 diz que nove unidades da Federação estão com ocupação de UTIs para a doença em 80% ou mais; situação é idêntica em treze capitais

Wilson Tosta e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 16h33
Atualizado 03 de fevereiro de 2022 | 20h10

RIO - Um terço das unidades da Federação – nove das 27 - estão em zona de alerta crítico na ocupação de seus leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS), advertiu a Fiocruz nesta  quinta-feira, 3. O levantamento foi divulgado no mesmo dia que o Brasil registrou 917 novas mortes por covid-19, com média móvel de 689 óbitos, a pior marca desde 26 de agosto. E nesta quinta o Brasil teve novo recorde de casos registrados, com 286.050 contaminações.

O cenário alarmante é refletido pela Nota Técnica, que mostra que 13 das 25 capitais com taxas divulgadas têm 80% ou mais de vagas para a doença ocupadas. E 13 Estados apresentaram aumento superior a cinco pontos nos porcentuais de ocupação, no período de 24 a 31 de janeiro. O crescimento nos indicadores continua a exigir bastante atenção e monitoramento contínuo, diz o texto.

“Insistimos que é fundamental empreender esforços para avançar na vacinação, incluindo-se a exigência do passaporte vacinal”, diz o documento do Observatório Covid-19 Fiocruz. “É também fundamental controlar a disseminação da covid-19, com maior rigor na obrigatoriedade de uso de máscaras em locais públicos, e campanhas para orientar a população sobre o autoisolamento ao apresentarem sintomas, evitando a transmissão.”

Para os pesquisadores do Observatório, as taxas de ocupação em Estados e capitais parece indicar a interiorização da pandemia pela variante Ômicron. As taxas dos Estados ainda crescem significativamente. Algumas capitais, porém, já apresentam mais estabilidade ou mesmo queda. De qualquer forma, o cenário é de preocupação.

“Muitos especialistas e trabalhadores de saúde fizeram esse alerta há semanas. No entanto, pouco ou nada foi feito para mitigar os efeitos da forte transmissão comunitária viral que observamos. É tarde para reverter o grande número de internados. Outro número que tende a aumentar um pouco mais é o de mortes. Precisamos entender que o uso de máscaras de forma correta, a manutenção do distanciamento físico e a ampliação das coberturas seguem sendo necessidades essenciais, caso queiramos evitar que as coisas piorem ainda mais”, explica Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz/Amazônia.

O especialista lembra que a internação em leito de UTI é um sinal tardio da circulação viral e que esse aumento no fim de janeiro era esperado, ainda mais depois da forte transmissão comunitária da Ômicron, sobretudo nas últimas semanas, bem como do grande percentual de não vacinados ou com esquema incompleto. “Infelizmente muitas lições deixaram de ser incorporadas e alguns erros foram repetidos na virada de 2021 para 2022, impulsionados pela falsa suposição de que vacina sozinha faz milagre ou que a Ômicron não poderia sobrecarregar a rede hospitalar e matar às centenas como temos visto nos últimos dias no País”, diz.

Cenário da covid-19 não é o mesmo do pior momento, em 2021

A Nota Técnica destaca, porém,  que o cenário atual não é igual ao de março a junho de 2021. Essa foi  considerada a fase mais crítica da pandemia. O texto ressalta também que, apesar do acréscimo de leitos observados nas últimas semanas, a disponibilidade é bem menor. O documento diz que o crescimento nas taxas de ocupação de leitos de UTI SRAG/Covid-19 para adultos no SUS preocupa. O texto lembra as baixas coberturas vacinais são baixas em diversas áreas do País.

“Os Estados do Piauí (87%), Rio Grande do Norte (86%), Pernambuco (88%), Espírito Santo (83%), Mato Grosso do Sul (103%), Goiás (91%) e o Distrito Federal (97%) mantiveram-se na zona de alerta crítico, onde também entraram o Amazonas (80%) e Mato Grosso (91%)”, diz a Nota do  Observatório Covid-19 Fiocruz. “Na zona de alerta intermediário, permaneceram o Pará (74%), Amapá (69%), Tocantins (78%), Ceará (67%), Bahia (74%), Rio de Janeiro (62%), São Paulo (72%), Paraná (72%), e entraram o Alagoas (69%) e Santa Catarina (76%), que estavam fora na zona de alerta.”

Fora da zona de alerta mantiveram-se o Acre (57%), Maranhão (59%), Paraíba (41%), Sergipe (37%), Minas Gerais (37%) e Rio Grande do Sul (54%). Somaram-se Rondônia (58%) e Roraima (52%), que estavam na zona de alerta intermediário, diz o texto.

As treze  capitais na zona de alerta crítico são: Manaus (80%), Macapá (82%), Teresina (83%), Fortaleza (80%), Natal (percentual estimado de 89%), Maceió (81%), Belo Horizonte (86%), Vitória (80%), Rio de Janeiro (95%), Campo Grande (109%), Cuiabá (92%), Goiânia (91%) e Brasília (97%).  Em alerta intermediário estão: Porto Velho (77%), Rio Branco (70%), Palmas (72%), São Luís (64%), Recife (77%, considerando somente leitos públicos municipais), Salvador (68%), São Paulo (75%), Curitiba (71%) e Florianópolis (68%). Fora da zona de alerta, estão Boa Vista (52%), João Pessoa (58%) e Porto Alegre (55%).

Em Rondônia e Ceará, expansão de leitos reduziu taxas de ocupação

“Houve aumentos nas taxas (de ocupação de leitos) do Amazonas (75% para 80%), Piauí (82% para 87%), Paraíba (28% para 41%), Pernambuco (81% para 88%), Alagoas (53% para 69%), Bahia (67% para 74%), Minas Gerais (28% para 37%), São Paulo (66 para 72%), Paraná (61% para 72%), Santa Catarina (53% para 76%), Mato Grosso do Sul (80% para 103%), Mato Grosso (78% para 86%) e Goiás (82% para 91%)”, afirma a Nota Técnica do  Observatório Covid-19 Fiocruz.

Segundo o texto, em contrapartida “registram-se quedas nas taxas ocupação em Rondônia (65% para 58%) e Ceará (75% para 67%), possivelmente respondendo ao acréscimo de leitos”.

Essas expansões, diz o texto, ocorreram no mesmo período em que houve “aumento paulatino de leitos (em números absolutos) de UTI SRAG/Covid 19” em várias unidades. O avanço deu-se em Rondônia (113 para 125), Acre (20 para 30), Amazonas (86 para 109), Pará (195 para 212), Piauí (151 para 164), Ceará (328 para 419), Rio Grande do Norte (127 para 149), Pernambuco (991 para 1106), Alagoas (162 para 172), Bahia (580 para 594), Minas Gerais (2120 para 2151), Paraná (594 para 641), Mato Grosso do Sul (143 para 156), Mato Grosso (201 para 257) e Distrito Federal (56 para 78 leitos).”

O Observatório explica na Nota Técnica que não teve acesso aos números de leitos disponíveis na Paraíba e em São Paulo. Destaca também que, na mesma semana, houve queda de leitos no Espírito Santo (384 para 363) e Santa Catarina (523 para 464).

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