Wilton Junior/Estadão
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Covid-19 supera em dois meses número de mortes por H1N1 em 2009 no Brasil

Comparação é feita com o auge da pandemia de gripe no País; já são 2.141 óbitos pelo novo coronavírus contra 2.060 pelo influenza

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 19h56

BRASÍLIA - As mortes pelo novo coronavírus confirmadas no Brasil desde 26 de fevereiro superam o total registrado em 2009 por H1N1, no auge daquela pandemia. Naquele ano, a primeira morte foi registrada em junho.

Mesmo com alta subnotificação por falta de testes, reconhecida pelo próprio Ministério da Saúde, o País confirmou, até 17 de abril, 33.682 testes positivos e 2.141 óbitos pela covid-19. Em 2009, foram 50.482 casos e 2.060 mortos pelo vírus influenza, segundo dados do governo federal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou a H1N1 como pandemia de julho de 2009 a agosto de 2010. No segundo ano, a doença perdeu força pelo reforço de medicamento e vacina no tratamento.

Em 22 de março, o presidente Jair Bolsonaro errou ao prever que a covid-19 mataria menos que a H1N1 em 2019, quando o total de óbitos já foi inferior ao do ano de pandemia. "O número de pessoas que morreram de H1N1 no ano passado foram na ordem de 800 pessoas. A previsão é não chegar a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus", afirmou.

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O deputado federal Osmar Terra (MDB) também minimiza a covid-19 usando dados sobre a H1N1. Ele chegou a ser cotado ao cargo de ministro da Saúde, agora ocupado pelo oncologista Nelson Teich.

Ministro da Saúde em 2009, o médico José Gomes Temporão disse no fim de março em entrevista ao Estado que a covid-19 é muito mais grave do que a pandemia enfrentada por ele.

"A letalidade e o número de casos graves do H1N1 é muito mais baixa que do novo coronavírus. O número de pessoas que adoece, precisa de ventilação pulmonar, é significativamente menor na pandemia de 2009. Uma outra diferença importante é a situação do sistema de saúde. Hoje estamos mais frágeis do ponto de vista financeiro", disse Temporão.

O ex-ministro também afirmou que o País não adotou medidas de isolamento social amplo à época justamente pela menor gravidade da doença. "Quando o H1N1 chegou, o que percebemos era que não era uma doença com muita diferença do que os vírus da gripe comum. Claro, tivemos óbitos, a população não tinha imunidade."

Novo recorde

No dia em que o oncologista Nelson Teich tomou posse como ministro da Saúde, o Brasil bateu novo recorde diário de mortes pela covid-19: foram 217 nas últimas 24 horas. Com isso, o número de óbitos passou para 2.141 nesta sexta-feira, 17, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

O País também atingiu o maior número de casos confirmados de covid-19 em um único dia, com 3.257 novos registros de pessoas contaminadas de ontem para hoje. No total, o Ministério da Saúde tem a informação de que 33.682 testaram positivo para o novo coronavírus até o momento. A taxa de letalidade está em 6,4%.

A região mais afetada é o Sudeste, com 56,6% dos casos, seguida pelo Nordeste (22.2%), Norte (9,4%), Sul (7,7%) e Centro-Oeste (4,1%). Em São Paulo, Estado com maior número de casos e de mortes decorrentes da doença no País, há registro de 12.841 pessoas infectadas e 928 óbitos. Diante do cenário, o governador João Doria (PSDB) anunciou que vai prorrogar a quarentena até o dia 10 de maio, um domingo.

O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 4.249 casos confirmados e 341 mortes, seguido pelo Ceará (3.684 casos confirmados de covid-19 e 149 mortes), Pernambuco (2.006 casos e 186 mortes registradas), e Amazonas (1.809 casos registrados e 145 mortes).

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