Tiago Queiroz/Estadão - 9/2/2022
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Fernando Reinach
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Covid e o risco de doença cardíaca

Segundo estudo, quem foi infectado tem risco maior de sofrer doenças cardiovasculares

Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2022 | 05h00

Os sintomas de uma infecção pelo SARS-CoV-2 dependem da seriedade da infecção e da cepa envolvida. Entre eles estão a perda de olfato, problemas pulmonares, distúrbios de coagulação, febre, tosse e por aí vai. Ao longo do último ano, descobrimos que alguns sintomas podem demorar meses a desaparecer, mesmo após a infecção ter sido debelada. Essa persistência é chamada de covid longa. 

Agora, dois anos após o início da pandemia, são publicados os primeiros estudos que descrevem as consequências de uma infecção pelo SARS-CoV-2 no longo prazo. Um desses estudos demostra que pessoas que foram infectadas têm um risco maior de sofrer doenças cardiovasculares. Na pesquisa, feita nos hospitais para veteranos de guerra nos Estados Unidos, foram comparados três grupos.

O primeiro inclui 153.760 pessoas diagnosticadas com covid entre 1.º de março de 2020 e 15 de janeiro de 2021 e que não morreram nos primeiros 30 dias após a infecção. Desse grupo, 131.612 tiveram casos leves e não foram hospitalizados, 16.760 foram hospitalizados e, desses, 5.388 em UTIs. 

O segundo grupo inclui 637.647 pessoas que não pegaram covid nesse período, e o terceiro, 5.859.411 pessoas monitoradas antes do aparecimento da covid. Todos foram acompanhados por um ano.

O que os cientistas descobriram é que o grupo que havia contraído covid tem uma maior probabilidade de apresentar problemas cardiovasculares no ano seguinte, quando comparado com os outros dois grupos. Por exemplo, no grupo de pessoas que tiveram covid, apareceram dez casos de fibrilação atrial a mais em cada mil pessoas; 13 casos a mais de falência cardíaca; 5 casos a mais (sempre em cada mil pessoas) de derrames cerebrais e assim por diante. 

Esse risco aumentado no ano seguinte à infecção foi detectado para mais de dez distúrbios cardiovasculares. O estudo também mostra que o risco é maior quanto maior tiver sido a gravidade da doença. 

Os dados foram coletados entre pessoas que ainda não haviam sido vacinadas. Como a maioria das vacinas impede casos mais graves de covid, acredita-se que o risco deve ser menor entre os vacinados, mas isso só saberemos quando a população vacinada tiver sido acompanhada por mais de um ano. 

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O TRABALHO ESTÃO EM: LONG-TERM CARDIOVASCULAR OUTCOMES OF COVID-19 NATURE MEDICINE: HTTPS://DOI.ORG/10.1038/S41591-022-01689-3 2022

* É BIÓLOGO, PHD EM BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR PELA CORNELL UNIVERSITY E AUTOR DE A CHEGADA DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASIL; FOLHA DE LÓTUS, ESCORREGADOR DE MOSQUITO; E A LONGA MARCHA DOS GRILOS CANIBAIS

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