Reprodução/Redes Sociais
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Cozinheiro de 23 anos é a vítima mais jovem do coronavírus no País

Matheus Aciole é o segundo morto em decorrência da covid-19 no Rio Grande do Norte; em SP, vírus já matou jovem de 26 anos

Ricardo Araújo, especial para o Estado

01 de abril de 2020 | 10h04

NATAL - A Secretaria Municipal de Saúde de Natal confirmou no final da noite desta terça-feira, 31, a morte de um homem de 23 anos pelo novo coronavírus, a vítima mais jovem no Brasil. É o segundo óbito registrado pela doença no Rio Grande do Norte em menos de uma semana. O primeiro foi no sábado, 28, do professor universitário Luiz di Souza, de 61 anos, que era diabético e morreu em Mossoró, interior do Estado.

Matheus Aciole morreu em um hospital privado da capital potiguar. No dia 24, ele havia procurado uma unidade de saúde particular apresentando sintomas leves da doença, como dor de garganta e febre baixa. Foi medicado e retornou para casa, onde ficou em isolamento. Dois dias depois, foi a uma unidade pública de saúde apresentando quadro de desconforto respiratório e foi transferido para um hospital particular, onde foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No mesmo dia, foi testado para o novo coronavírus e o resultado deu positivo.

De acordo com as autoridades locais de saúde, Aciole era obeso e apresentava pré-diabetes, fatores considerados de risco para o novo coronavírus.

Paixão por gastronomia

O sonho de abrir um bistrô para colocar em prática o que aprendeu nas faculdades de Gastronomia e Nutrição não deu tempo de ser realizado por Matheus Aciole. O jovem queria ser reconhecido como um chef promissor e se dedicava à produção de bolos artísticos e doces em geral, paixão que herdou dos pais, donos de uma fábrica de bolos artesanais na zona Leste de Natal.

"Ele tinha uma ideia de abrir um bistrô. Era formado em Gastronomia, cursava Nutrição e ainda fazia uma pós-graduação. Ele gostava de trabalhar. Já tinha uma pequena empresa de bolos e doces e estava bastante empolgado com a minha festa de formatura, perguntando como eu queria os doces, o bolo", relembra Gleydson Almeida, primo de Aciole. 

A imagem que fica para Gleydson do primo que não resistiu à fúria da covid-19 é a de 'um menino ingênuo, bom, querido por todos". "(Matheus) Gostava muito de festas. Ele era uma criança grande. Era ingênuo e gente boa demais. Ele trabalhava junto com os pais, ajudando", declara.

Matheus Aciole sentiu os primeiros sintomas da covid-19 no dia 24 de março. Procurou atendimento médico num hospital particular, foi medicado como se estivesse com um resfriado comum e voltou para casa, onde se isolou. Dois dias depois, com febre e tosse que não cessavam com a medicação, procurou o Hospital Giselda Trigueiro, referência em doenças infectocontagiosas em Natal. Lá, teve amostras de secreção coletadas para testes e foi encaminhado para internação num hospital privado.

Poucas horas depois foi entubado num leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com uso de ventilação mecânica para aliviar o cansaço. O quadro de saúde foi agravando com falhas no funcionamento dos rins. Os médicos, segundo Gleydson Almeida, decidiram iniciar um processo de hemodiálise e, no momento em que iriam introduzir um cateter, Aciole teve uma parada cardíaca e não resistiu.

No laudo da morte, segundo Gleydson, foi listada a ocorrência de H1N1, pneumonia e covid-19.

"Não teve velório. O corpo foi liberado, houve um momento com a família mais próxima e o corpo foi sepultado ainda na madrugada. Fica o alerta. As pessoas precisam tomar cuidado. Não é somente a questão da idade que conta", alertou.

Vítima jovem em São Paulo

No último sábado, 28 de março, São Paulo também registrou uma morte por covid-19 de um jovem. Maurício Suzuki, de 26 anos, deu entrada no pronto-socorro do Hospital Santa Cruz em 23 de março com quadro de síndrome respiratória grave.  Ele só foi internado após procurar a unidade de saúde pela terceira vez. Segundo o hospital, a vítima estava em tratamento para hiperuricemia, quando há presença de altos níveis de ácido úrico no sangue.

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