Cresce consumo de calmantes e estimulantes no País

O consumo de medicamentos estimulantes (anorexígenos) e calmantes (benzodiazepínicos) cresceu no País entre 2001 e 2005, segundo dados do Levantamento Domiciliar Sobre Uso de Drogas Psicotrópicas, feito pelo Ministério da Saúde. A pesquisa, divulgada hoje em Brasília, confirma o alerta dos especialistas sobre o perigo do consumo das drogas lícitas. Os resultados se baseiam em entrevistas feitas com 7.939 pessoas de 12 a 65 anos em 108 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes. Em 2001, 3,3% da população dizia já ter consumido algum tipo de medicamento benzodiazepínico. Esse número saltou para 5,6% em 2005. A faixa etária a partir dos 35 anos apresentou as maiores porcentagens de uso. O levantamento detectou ainda que há um nítido predomínio de uso pelas mulheres em todas as faixas etárias. As mulheres também lideram as estatísticas de consumo de estimulantes, uma tendência associada ao uso de medicamentos para perder peso. O Brasil é líder mundial no consumo de anfetaminas, estimulantes que podem ser usados como reguladores de apetite. O consumo total de estimulantes passou de 1,5% em 2001 para 3,2% em 2005. Isso corresponde a 1,6 milhão de pessoas, principalmente mulheres - numa proporção de quase cinco mulheres para cada homem. A maior incidência entre elas, 5,6%, ocorre entre 25 e 34 anos. O consumo brasileiro de estimulantes está no mesmo patamar de países como Espanha, Holanda, Suécia e Alemanha. Mas ainda fica atrás dos EUA, onde atinge 6,6% da população. Para o secretário nacional antidrogas, Paulo Roberto Uchôa, o problema está na falta de informação. "Nós já havíamos notado isso quando fornecemos dados para o relatório da ONU, em 2005", diz. Ele destaca a nova política antidrogas como um avanço na conscientização sobre esse perigo. "Antes, apenas as substâncias ilícitas eram consideradas drogas." Outro destaque da pesquisa foi o aumento do uso de esteróides. O consumo triplicou de 0,3% em 2001, para 0,9% no ano passado, com predomínio entre jovens de 18 a 24 anos de idade (1%) e entre 25 a 34 anos (1,2%). Drogas Ilícitas O consumo declarado de drogas ilícitas ao menos uma vez na vida passou de 19,4% em 2001 para 22,8% em 2005. Essa taxa corresponde a 10,7 milhões de pessoas. A maconha é a principal dessas drogas ilícitas. O consumo passou de 6,9% em 2001 para 8,8% no ano passado. Os homens consomem quase três vezes mais do que as mulheres. O resultado é maior que o da Colômbia, por exemplo, mas é bem menor que os relatados em países como os EUA (40,2%), Reino Unido (30,8%) e Dinamarca (24,3%). Os solventes e a cocaína completam os primeiros lugares dessa lista, com 6,1% e 2,9% respectivamente. As duas tiveram pequenos aumentos em relação a 2001. O mesmo acontece com o crack e a heroína. Ninguém ouvido pela pesquisa declarou ter usado drogas injetáveis.

Agencia Estado,

24 de novembro de 2006 | 10h22

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