Cresce número de casos de anorexia após os 50 anos

Dados mostram que 10% das pacientes tratadas na Grã-Bretanha tem mais de 50.

Da BBC Brasil, BBC

04 de março de 2008 | 11h15

A Associação Britânica de Especialistas em Dieta (BDA, na sigla em inglês) divulgou um alerta sobre o aumento no número de casos de distúrbios alimentares como bulimia e anorexia nervosa entre mulheres acima dos 50 anos na Grã-Bretanha. Segundo a diretora da BDA, Ursula Philpot, as mulheres mais velhas que apresentam anorexia e bulimia já representam 10% das pacientes de transtornos alimentares tratadas no país. Ela afirma também que os especialistas observaram um aumento no número de homens em tratamento. "Há dez anos era extremamente raro ver mulheres mais velhas e homens com transtornos alimentares nas unidades de atendimento. No entanto, atualmente, em uma enfermaria com 20 leitos, é mais comum ver pelo menos duas mulheres mais velhas e um homem sendo tratados", disse Philpot. Um porta-voz da BDA afirmou à BBC Brasil que a principal preocupação dos especialistas é encontrar o tratamento correto para estes novos casos. Segundo ele, há necessidade de alterar os tratamentos para contemplar os casos de anorexia nervosa e bulimia entre mulheres acima dos 50 anos. "Há uma discussão sobre a criação de um novo tratamento a ser usado especialmente nestes casos", explicou o porta-voz. BrasilO aumento no número de pacientes acima dos 50 anos que apresentam distúrbios alimentares também foi observado no Brasil. Apesar da falta de dados sobre a incidência destes casos no país, o aumento provocou a criação de um departamento especial para atendimento destes casos no principal centro especializado em transtornos alimentares do Brasil. Em entrevista à BBC Brasil, o médico Táki Cordas, fundador do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo (Ambulim), afirmou que a equipe criou um centro especial para tratar essas pacientes e que o tratamento é similar ao das pacientes anoréxicas mais jovens. "Criamos um ambulatório que chamamos de transtornos alimentares refratário para tratar de pacientes que apresentam o início da doença depois dos 40 anos, além de outros casos", disse o médico. "O tratamento é muito parecido, no entanto o impacto é maior nas pacientes de mais idade. Nestes casos, por exemplo, a terapia é individual, não em grupo. O tratamento é mais intenso", afirmou Cordas à BBC Brasil. De acordo com ele, a intensidade do tratamento é maior porque a evolução da doença é mais grave nas pacientes mais idosas. MídiaCordas afirma que, a exemplo do Brasil e da Grã-Bretanha, o aumento no número de mulheres acima dos 40 anos que apresentam distúrbios alimentares deve ser um fenômeno comum em outras sociedades. "As sociedades industriais são tão parecidas que vamos encontrar o fenômeno em outras regiões, não vejo porque isso seria um fenômeno isolado", disse o médico à BBC Brasil. Segundo ele, uma das causas para o aumento no número de casos pode ser a pressão por ter um corpo esbelto e aparentar ser mais jovem, a exemplo das celebridades. "Estamos vendo casos nos quais as mulheres mais maduras, que poderiam ser menos suscetíveis a estas pressões, estão respondendo a estas exigências sobre a imagem", afirmou. "Algumas mulheres depois dos 50 anos ficaram deformadas pelo abuso das cirurgias plásticas. Acredito que a obsessão pelas plásticas e o aumento no número de pacientes com transtornos alimentares acima dos 40 anos podem ser fenômenos correlacionados", concluiu o médico.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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