Cresce uso de antipsicóticos em crianças no Reino Unido e EUA

Pesquisadores britânicos constataram ainda que esse uso é cerca de seis vezes maior entre norte-americanos

AP

05 de maio de 2008 | 16h36

Crianças norte-americanas tomam seis vezes mais medicamentos antipsicóticos que as crianças no Reino Unido, de acordo com uma comparação feita com base em um estudo britânico divulgado nesta segunda-feira, 5, no jornal Pediatrics.  Os pesquisadores dizem que há, ao mesmo tempo, um constante aumento do uso desse tipo de medicamento em crianças e sugerem que, com base em informações de segurança em longo prazo, é provável que tanto as crianças da América, como as do Reino Unido, estejam tomando muito mais antipsicóticos que o necessário.  Entre as drogas mais comuns estavam as de tratamento de autismo e hiperatividade.  No Reino Unido, segundo o estudo, antipsicóticos eram prescritos a 595 crianças, cerca de 4 em 10 mil, em 1992. Em 2005, 2917 crianças receberam o mesmo tipo de prescrição, 7 em cada 10 mil crianças - quase dobrando a taxa de prescrição, disse o autor principal do estudo, Fariz Rani, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Londres. Em contraste, um estudo norte-americano anterior encontrou que cerca de 45 em cada 10 mil crianças do país usavam essa classe de medicamentos em 2001, contra 23 em cada 10 mil em 1996.  Há grandes diferenças que podem ajudar a explicar a taxa bastante superior dos Estados Unidos. Um recente relatório sugeriu que o sistema de saúde britânico limita as prescrições. Além disso, o relatório também apontou que anúncios publicitários direcionados diretamente ao consumidor são mais comuns nos Estados Unidos, o que aumenta o conhecimento e a demanda pelos medicamentos.  Enquanto laços entre médicos e companhias farmacêuticas são comuns dos dois lados do Atlântico, o pesquisador da Universidade de Vanderbilt, Wayne Ray, disse que médicos britânicos são geralmente mais conservadores ao prescreverem drogas psiquiátricas. Ray é co-autor do estudo norte-americano, publicado em 2004.  O estudo britânico, envolvendo registros de saúde de 1992 a 2005 de mais de 16 mil crianças e é o primeiro grande exame do uso dessas drogas no país. Foi encontrado que o aumento se deu, principalmente, em medicamentos cujo uso em crianças ainda não foi aprovado oficialmente. Eles são comumente prescritos para problemas de comportamento, incluindo a Síndrome de Déficit de Atenção.  Efeitos colaterais incluindo ganho de peso, problemas no sistema nervoso e de coração foram diagnosticados em crianças usando esses medicamentos e há poucas evidências sobre a segurança do uso a longo prazo em crianças.  Entre os medicamentos mais usados estão Risperdal (droga usada para tratamento da esquizofrenia, muitas vezes usada também para o tratamento de irritabilidade e autismo em crianças autistas) e Thioridazine (usado no tratamento de hiperatividade e déficit de atenção). As razões para o aumento são incertas, mas podem ser similares àquelas nos Estados Unidos, como o aumento nos casos de autismo e da influência da indústria farmacêutica.  Nos dois países, a questão não é simplesmente quantas crianças estão tomando esses remédios, disse Dr. David Fassler, da Universidade de Vermont. "O mais importante é se essas crianças estão recebendo o tratamento mais apropriado e efetivo possível." Dr. William Cooper, pediatra de Vanderbilt, disse que o estudo mostra que as drogas têm sido usadas "sem o completo entendimento do risco que representam." "Eu acho realmente interessante que estejamos vendo agora aumentos em outros países que não os Estados unidos, o que sugere que a magnitude da questão é global", disse Cooper, também autor do estudo norte-americano de 2004.

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