Crescem casos de hérnia de disco em jovens

Sedentarismo ou excesso de atividade física. Má postura e horas demais no escritório. Herança genética, bolsas pesadas e aumento de peso. A conseqüência desse conjunto de fatores tem sido um crescimento no número de homens e mulheres jovens diagnosticados com hérnia de disco, um problema mais comum a partir dos 35 ou 40 anos. Apesar de não existirem estatísticas ou pesquisas específicas sobre o problema nessa faixa etária, especialistas de pelo menos cinco clínicas e grandes hospitais observam um aumento nos pacientes com menos de 30 anos - muitos deles têm o diagnóstico depois de uma crise, quando ficam imobilizados e procuram auxílio médico. "Geralmente, a hérnia aparece depois dos 30, 40 anos, quando a coluna começa a desidratar mais rapidamente. Mas temos recebido muitos casos a partir dos 20 anos. É uma coisa que a gente não via com tanta freqüência", afirma o ortopedista André Lafratta, do Hospital São Camilo. "É um dos problemas de coluna que está começando a aparecer mais cedo." O problema atinge o disco vertebral, cujo núcleo, composto em sua maioria por água, fica envolto por um anel fibroso, servindo como um amortecimento. A hérnia é a ruptura desse anel e a saída de parte do material gelatinoso, que pode ir para os lados, atingindo terminações nervosas, ou para trás, em direção à medula. Quando isso acontece, a pessoa pode ter três tipos de quadro clínico: lombalgia, quando a dor está nas costas; lombociatalgia, dor nas costas que irradia para as pernas, e ciatalgia, apenas dor nas pernas. Outra possibilidade é não sentir nada por anos e conviver com a hérnia - estimativas dos reumatologistas e ortopedistas indicam que 60% das pessoas, se passarem por uma ressonância magnética, vão encontrar uma hérnia, mas só parte delas sentirá dores e incômodos por isso. Em pessoas mais novas, a hérnia tem algumas diferenças, segundo a reumatologista Evelyn Goldenberg, do Hospital Albert Einstein e da Universidade Federal de São Paulo. "Nos jovens, 70% do núcleo polposo é água. Então, é mais comum a hérnia ser deflagrada por um trauma. Nas pessoas mais velhas, esse núcleo vai desidratando e o problema aparece por degeneração", diz. "Uma coisa importante de se lembrar são os exercícios feitos em excesso, sem supervisão, com sobrepeso, e a moda das corridas. Pode ser uma das explicações para vermos mais jovens com esse problema atualmente." Limitações A hérnia do publicitário André Galiano, de 28 anos, foi diagnosticada há sete anos. "Fiquei travado na cama por dez dias. Tinha dor e não sabia o que era", conta. Depois disso, fez fisioterapia, RPG, acupuntura, hidroginástica. "Adoro jogar futebol e não posso mais. Tenho uma filha pequena e, cada vez que a pego no colo, sinto dor. Gosto de tocar guitarra, mas é um peso a mais na coluna. Há uma série de limitações." Ele passou por vários médicos e recebeu indicações diferentes de como tratar. Chegou a ouvir que precisaria de cirurgia, procedimento indicado só para 4% dos casos. O tratamento, na maior parte das vezes, inclui remédios e fisioterapia, além de mudanças no estilo de vida para não piorar o problema, já que a hérnia está relacionada com postura, carga de peso, impacto, obesidade e até mesmo tabagismo - substâncias do cigarro fazem o disco vertebral se degenerar mais rapidamente. "Encaminhamos o paciente para reabilitação, para reestruturar a musculatura do corpo", explica Ricardo Sasaki, fisioterapeuta do laboratório Delboni Auriemo e do São Paulo Futebol Clube. A administradora de empresas Iris Nascimento, de 26 anos, teve duas grandes crises desde o diagnóstico: a primeira aos 23 anos e a segunda no ano passado. "Acordei um dia, fui me vestir e não consegui. Travei, não me mexia. Fui direto para o hospital e fiquei internada uma semana", diz. Hoje, ela faz fisioterapia e recorre aos antiinflamatórios periodicamente. "Durmo com calor no local, porque alivia, e tomo os remédios. Adoro jogar tênis, mas preciso parar de tempos em tempos."

Agencia Estado,

07 de novembro de 2006 | 11h40

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