GCM / Divulgação.
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Crescem casos de polícia por desrespeito às regras para coronavírus em SP

Casal é obrigado a se submeter a avaliação médica por descumprir quarentena após viagem à Itália e surfista é detida após se recusar a sair do mar

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 14h34

SOROCABA – Aumentam em todo o Estado as intervenções da polícia em casos de desrespeito às regras impostas pela pandemia do novo coronavírus. As ações envolvem principalmente o descumprimento ao isolamento social, determinado pela situação de calamidade pública decretada no Estado, e a venda de álcool gel de origem ilegal. Até uma surfista foi presa quando pegava onda na Praia das Pitangueiras, no Guarujá, após um decreto municipal ter fechado o acesso às praias.  

Em Itapira, a justiça deu liminar em ação movida pelo Ministério Público para obrigar um casal a se submeter à avaliação médica por ter descumprido a quarentena, após retornar de viagem à Itália. Em vídeo postado em rede social, o casal aparece pedalando em uma estrada rural e ‘tirando onda’ do medo das pessoas em relação ao vírus. “Fomos confinados pelo mundo da população, porque nossa saúde está muito debilitada (...) a gente vai pedalar uns 70, 80 (quilômetros) por dia até onde a nossa saúde vai aguentar”, diz a jovem, em tom irônico.

Em seguida, ela faz referência ao fato de o casal estar sendo excluído da sociedade por ter viajado ao exterior durante a pandemia. “Já que estamos com o coronavírus, então vamos levar ele (sic) para o mundo de mountain bike”, acrescenta. A juíza Hélia Regina Pichonato determinou que o casal seja submetido à “imediata avaliação médica ou da vigilância epidemiológica, bem como medida de isolamento”, devido ao risco dos potenciais danos à saúde da coletividade. A magistrada estipulou multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

Em Ribeirão Preto, um empresário de 40 anos teve a prisão preventiva decretada após organizar a rave ‘Corona Trance’ em um parque de eventos da cidade. A festa, com ingressos a R$ 20, seria realizada entre a noite de sábado, 21, e a manhã deste domingo, 22. A cidade decretou emergência sanitária devido ao coronavírus. “Não é possível admitir tamanha afronta como essa praticada pelo autuado. Em plena situação de emergência vem disseminar a propagação do vírus com a promoção de uma festa, inclusive com nome sugestivo, deixando evidenciada sua intenção”, escreveu o juiz plantonista Hélio Benedini Ravagnani. A decisão de prender foi virtual, já que as audiências presenciais estão suspensas. O empresário vai responder por infringir medida sanitária preventiva.

Em São José do Rio Preto, uma pastora evangélica de 44 anos foi levada para o plantão da Polícia Civil, na sexta, 20, após descumprir decreto da Prefeitura que proíbe eventos com mais de 100 pessoas devido ao coronavírus. Ela foi liberada, mas vai responder por por infração de medida sanitária preventiva.

No Guarujá, litoral paulista, uma surfista de 48 anos foi detida pela Guarda Municipal, no sábado, 21, após se recusar a deixar o mar, descumprindo decreto da prefeitura que proibiu o acesso às praias. Ela resistiu e teve de ser contida. A prancha de surfe que ela usava na Praia das Pitangueiras foi apreendida.

Álcool gel.  Duas pessoas – mãe e filho – foram presas sábado, 21, suspeitas de produzir e vender álcool gel falsificado em Ribeirão Preto. A técnica em química e o filho são donos de uma empresa que fabrica produtos de limpeza, lacrada pela Vigilância Sanitária. Análise mostrou que o produto embalado e encontrado em dois pontos de comercialização não tem qualquer eficácia contra o vírus.

Em Santos, um homem foi preso vendendo frascos de álcool gel falsificado, na sexta-feira, 20, no bairro Campo Grande. O produto era oferecido para motoristas em um cruzamento. Ele foi encaminhado à Polícia Civil após ser abordado por guardas municipais. Na capital, um homem de 26 anos foi preso, também na sexta, vendendo frascos de álcool gel falsificado na saída do metrô, na Praça da Sé.

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