Moran Cerf e Maria Moon/Divulgação
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Criado computador que registra atividade de células individuais no cérebro

Voluntários conseguiram controlar tela de computador ativando neurônios individuais

REUTERS, REUTERS

27 de outubro de 2010 | 17h50

Você prefere Marilyn Monroe ou Johnny Cash? Pesquisadores na Califórnia chegaram às células individuais que tomam parte na escolha.

Essa descoberta poderá levar a novas formas de controlar computadores usando apenas a mente, embora os pesquisadores não vejam aplicações imediatas. O que é mais interessante para eles é o que o experimento revela sobre o funcionamento do cérebro.

 

O cérebro pode "escolher" prestar atenção numa imagem e não em outra ao intensificar a atividade de uma célula e interromper a atividade de outra, disse a equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em artigo na revista Nature

 

Os pesquisadores do Caltech se valeram de uma pesquisa médica paralela sobre o tratamento de epilepsia. Eles recrutaram pacientes cujos distúrbios cerebrais não podiam ser bem controlados por drogas, e que se candidataram para cirurgia.

 

A disfunção desses pacientes estava numa parte do cérebro chamada lobo temporal medial, que envolve o processamento de informação. "O lobo temporal medial é praticamente o centro do cérebro", disse o principal autor do estudo, Moran Cerf. Essa parte do cérebro tem uma cópia de segurança, disse ele.

 

"Você pode tirar um pedaço do cérebro mas o paciente não perde nenhuma função", declarou.

Os pacientes haviam se voluntariado para o procedimento, mas para extrair o pedaço correto, os médicos precisavam assistir a um ataque epilético em tempo real. Então os pacientes tiveram eletrodos introduzidos no cérebro e ficaram aguardando o ataque. Nesse meio tempo, eles tomaram parte no experimento de Cerf.

 

Itzhak Fried, que supervisionou a pesquisa, liderou um grupo em 2005 que descobriu o "neurônio Halle Berry" - uma célula do cérebro responsável opor reconhecer um astro de cinema em particular.

 

Os pacientes epiléticos foram submetidos a testes para ver quais estímulos ativariam os neurônios específicos que estavam ligados aos eletrodos. Uma voluntária, por exemplo, gostava muito do cantor Johnny Cash, e um de seus eletrodos produzia um sinal forte quando ela via imagens do ídolo.

 

Os pesquisadores projetaram então um computador que era capaz de reconhecer esses sinais e controlar um programa para fazer aparecer e sumir imagens numa tela. "É meio como um projetor de pensamentos, como o chamamos", disse Cerf.

Foram então sobrepostas duas imagens - por exemplo, de Cash e da atriz Marilyn Monroe. Pediu-se então aos 12 voluntários que fizessem, uma imagem sumir e a outra se fixar, usando apenas o pensamento.

 

Eles conseguiram sucesso 69% das vezes, à medida que o computador reconhecia atividade no "neurônio Johnny Cash" ou no "neurônio Marilyn".

Trata-se de um processo altamente individualizado, baseado nas preferências de cada paciente.

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