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Crianças atribuem dominância social a indivíduos fisicamente maiores

Bebês com menos de 1 ano usam critério de tamanho para prever quem vencerá conflitos

estadão.com.br

27 Janeiro 2011 | 21h47

SÃO PAULO - Psicólogos da Universidade de Harvard, nos EUA, descobriram que bebês com menos de 1 ano de idade já entendem de dominância social e usam o critério de tamanho físico para prever quem vencerá conflitos de objetivos. A descoberta é apresentada esta semana na revista Science.

O autor principal, Lotte Thomsen, disse que o trabalho sugere que nós podemos nascer com - ou desenvolver em idade muito precoce - uma certa compreensão de dominação social e como ela se relaciona com o tamanho relativo do indivíduo, uma correlação geral entre as culturas humana e animal. Esse conhecimento pode ajudar as crianças a enfrentar o desafio de aprender a estrutura de seu ambiente social, especificando formas de reconhecer quem é dominante no seu meio.

"Reis e chefes tradicionalmente se sentam em tronos grandes e elevados e usam coroas e mantos elaborados que os fazem parecer maiores do que realmente são. Já os subordinados, por sua vez, curvam-se ou ajoelham-se para mostrar respeito a seres superiores e deuses", afirmou Thomsen, pesquisador do Departamento de Psicologia de Harvard e professor assistente de psicologia na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

"Muitos animais, como pássaros e gatos, inflam o corpo para parecerem fisicamente maiores que os adversários; outros, como os cães, se prostram para demonstrar submissão. Nosso estudo sugere que, mesmo com a socialização limitada, bebês humanos que ainda não falam podem compreender essa manifestação", destacou.

Thomsen e colegas de Harvard e da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estudaram as reações de crianças de 8 a 16 meses enquanto elas observavam vídeos de interações entre as figuras de desenhos animados de vários tamanhos.

"Como previsto pela nossa teoria, os pequenos prestaram muito mais atenção quando um indivíduo de grande porte se rendeu a um menor", contou Thomsen. Em média, os bebês assistiram a essa cena inesperada por 20 segundos, em comparação com apenas 12 segundos quando um personagem menor abriu caminho para um maior.

Em uma experiência seguinte, o pesquisador e seus coautores descobriram que os bebês de 8 meses de idade não conseguiram compreender esses significados, mas aqueles entre 10 e 16 meses demonstraram surpresa em representações de uma pessoa maior se submetendo a uma menor, sugerindo que esse entendimento conceitual se desenvolve nessa fase do crescimento.

Dois outros experimentos mostraram que as reações das crianças não são simplesmente causadas pela expectativa de que os indivíduos menores tendem a ser derrotados, inclusive em situações que não envolvem objetivos conflitantes.

"Entender o que produz o rico repertório conceitual dos humanos é um dos maiores desafios da ciência cognitiva", disseram os coautores Susan Carey, Henry Morss Jr. e Elisabeth Morss, professores de psicologia em Harvard. "Nosso trabalho mostra que, aparentemente, as crianças já vêm preparadas para entender os aspectos abstratos de seu mundo social."

Nas últimas décadas, os cientistas descobriram que a mente infantil cria representações abstratas da física intuitiva, da psicologia e da matemática. Também foi demonstrado que bebês representam aspectos do mundo social, como o controle sobre outros agentes para ajudar ou prejudicar terceiros. Essas habilidades fazem parte do que os bebês necessitam para compreender a colaboração e a cooperação no mundo.

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