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Crianças devem ser vacinadas contra a gripe suína, afirma especialista

Organização Pan-Americana de Saúde diz que imunização escolar eleva eficácia do combate

Fabiana Leite, enviada especial,

16 Março 2010 | 10h00

Fabiana Leite, enviada especial

FOZ DO IGUAÇU - O gerente da área de Vigilância em Saúde, Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o brasileiro Jarbas Barbosa, defendeu nesta segunda-feira, 15, a vacinação contra gripe suína de crianças em idade escolar como estratégia para reduzir a transmissão do vírus. A defesa foi feita durante o 46º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado em Foz do Iguaçu.

 

Barbosa destacou que a medida é recomendada pelo órgão, mas que os países têm liberdade para adotá-la ou não segundo sua realidade. O Brasil não vacinará crianças em idade escolar porque optou por priorizar grupos com maior risco de hospitalização e morte, medida também recomendada pela organização.

 

A partir da semana que vem, na segunda fase da campanha, serão imunizados crianças entre 6 meses e 2 anos, doentes crônicos e gestantes.

 

"Sou totalmente favorável que se vacine escolares, quando há vacina disponível. A taxa de ataque (que expressa a possibilidade de contágio do grupo) nessa faixa etária é três vezes maior que nas outras", disse Barbosa ao Estado, após conferência sobre a situação da gripe suína nas Américas, uma das mais procuradas do evento. "Apesar de, na maioria das vezes, os casos entre escolares serem benignos, ao vaciná-los você evita que grupos de maior risco adoeçam." Estudos mostram que escolares disseminam rapidamente o vírus por causa do intenso contato físico que há entre crianças nessa idade e com os cuidadores em casa.

 

Durante a conferência, Barbosa disse que não conhecia detalhes da estratégia brasileira e preferiu não opinar sobre a decisão do governo federal de não vacinar crianças em idade escolar, Destacou, porém, que, quando enfrentou a circulação do vírus do sarampo no Brasil, optou por vacinar os escolares e não adultos jovens, os principais atingidos. Barbosa já respondeu pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Ao ser questionado pelo público sobre eventuais riscos da vacina, Barbosa defendeu a segurança do imunizante. "É a igual à usada há anos contra a gripe comum e extremamente segura. Só não pode ser vacinado quem tem alergia a ovo." Segundo ele, não há registro de problemas significativos nos Estados Unidos, que vacinaram milhares de pessoas.

 

Pesquisa. Um estudo canadense publicado recentemente no Journal of the American Medical Association mostrou a eficácia da imunização de crianças e adolescentes contra a gripe. Segundo o trabalho, a vacinação dessa faixa etária poderia reduzir em 60% os casos de gripe em uma comunidade. Apesar dos benefícios, a maior parte dos países não costuma imunizar a faixa etária dos 3 aos 15 anos.

 

Questionado ontem pelo Estado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que não pode basear a estratégia de saúde pública em evidências científicas recentes. Disse ainda que o método adotado no Brasil é aprovado por todas as entidades médicas.

 

(Colaborou Karina Toledo)

 

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