Crianças nos EUA se transformam em adolescentes sedentários

Enquanto 90% das crianças de 9 anos têm 2h de exercício por dia, 3% dos jovens de 15 anos chegam a tanto

AP

16 de julho de 2008 | 15h54

Um dos maiores estudos do tipo mostra quanto as crianças ficam mais sedentárias quando chegam à adolescência: enquanto 90% das crianças de 9 anos têm pelo menos duas horas de exercício por dia, menos de 3% dos adolescentes de 15 anos chegam a tanto. Ainda mais, o estudo sugere que menos de um terço dos adolescentes faz o mínimo de exercício recomendado pelo governo nos Estados Unidos - uma hora de atividade moderada ou forte, como pedalar, caminhar, nadar ou correr. A queda vertiginosa gera preocupações quanto à falta de atividade continuar durante a vida adulta, o que poderia colocar a vida dos jovens em perigo, dizem os autores do estudo.  "As pessoas não reconhecem isso como a crise que realmente é", disse o autor do estudo, Philip Nader, pediatra e professor emérito da Universidade da Califórnia em San Diego.  A inatividade é ligada ao aumento do risco para diversos problemas de saúde, incluindo problemas de coração, obesidade, pressão alta e diabetes.  Os novos achados chegam apenas uma semana após um influente grupo de pediatras recomendar que mais crianças tenham seus níveis de colesterol checados e que algumas, às vezes de apenas 8 anos, tomem remédios que baixem o colesterol. Esse conselho veio em parte devido à preocupação sobre níveis futuros de doenças do coração e outros problemas ligados à obesidade na infância.  O último estudo, que foi publicado nesta quarta-feira, 16, no Journal of the American Medical Association, seguiu cerca de mil crianças de idades variadas no Estados Unidos de 2000 a 2006. Máquinas especiais foram usadas para registrar sua atividade. Níveis médios de atividade caíram de três horas aos 9 anos, para menos de uma aos 15. Nader disse que estava "surpreso com o quanto foi dramática a queda", e citou as escolas deixando de lado os intervalos e as aulas de ginástica e o uso crescentes de videogames e computadores como prováveis motivos.  James Griffin, cientista do estudo, disse que durante o crescimento das crianças, "você deve mesmo esperar um declínio na atividade, mas nada dessa magnitude." Ele notou que o estudo coincidia com o aumento na popularidade de videogames, DVDs e do uso da internet - "todos os tipos de coisas que tiram crianças lá de fora e as colocam no sofá ou na frente do computador." Griffin disse que os resultados mandam uma mensagem para os pais de que é importante ensinar seus filhos a balancear o tempo do computador com outras atividades, como passear com o cachorro e jogar bola.  Participantes do estudo eram crianças envolvidas com uma agência de pesquisa de desenvolvimento infantil, recrutadas de 10 hospitais de todo o país.  Os pesquisadores mediram o nível de atividade a partir dos 9 anos usando um acelerômetro - um aparelho usado como um cinto e que mede o movimento. Os níveis de atividade foram contados nas idades de 9, 11, 12 e 15 anos.  O método não é à prova de erros, pois o aparelho não é usado durante a natação nem durante esportes de contato. Mas os pesquisadores dizem que é pouco provável que essas atividades aparecessem com freqüência bastante para modificar o resultado.  Meninos são mais ativos que meninas em qualquer idade, determinou o estudo. Mas aos 15 anos, o nível médio de atividade dos meninos caiu abaixo do nível recomendado, particularmente nos fins de semana.

Tudo o que sabemos sobre:
exercício físicocrianças

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.