Crianças são maiores vítimas do fumo passivo, diz estudo

Segundo estudo governamental nos EUA, cerca de 60% das crianças são fumantes passivas dentro de suas casas

AP

10 de julho de 2008 | 15h28

Cerca de metade dos norte-americanos não fumantes ainda respiram fumaça de cigarro, mas a porcentagem diminuiu dramaticamente desde o início da década de 1990, de acordo com um estudo governamental.  A razão principal do declínio no fumo passivo é o crescente número de leis e políticas que banem o fumo nos locais de trabalho, bares, restaurantes e lugares públicos, disseram os pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).  Outro fator é a queda no número de adultos fumantes: ele está agora abaixo de 20%, de acordo com os números de 2007 do CDC. O novo estudo descobriu que cerca de 46% dos não fumantes tinham sinais de nicotina em seus exames de sangue feitos de 1999 até 2004. Esse número representa uma queda em relação aos 84% encontrados quando testes similares foram feitos no fim da década de 1980 e início da década de 1990. No entanto, as autoridades pararam de celebrar. "Ainda é um número muito alto", disse Cinzia Marano, uma das autoras do estudo. "Não há algo como um nível seguro de exposição." Cigarros causam câncer de pulmão e outras doenças fatais não apenas em fumantes, mas também nos fumantes passivos, mostra o estudo.  Para os não fumantes, o fumo passivo aumenta seu risco de câncer em cerca de 20% e de doenças do coração em 25%. Crianças expostas ao fumo passivo correm o risco de terem ataques de asma, problemas de ouvido, infecções respiratórias e síndrome da morte súbita, disseram representantes do órgão de saúde. O novo relatório do CDC tirou seus dados da pesquisa nacional de saúde e nutrição, um estudo governamental que levas os pesquisadores às comunidades. Os participantes foram questionados sobre sua saúde, fizeram exames de sangue e físicos.  Os exames de sangue procuraram por cotinina - um subproduto da nicotina que geralmente é detectável por até cinco dias. Os exames de sangue são importantes porque muitas pessoas subestimam sua exposição ao fumo passivo, disse Terry Pechacek, diretor associado para ciência no CDC. O novo relatório se concentrou nos dados coletados de cerca de 17 mil não fumantes de 1988 até 1994, e mais ou menos o mesmo número de 1999 até 2004. Pessoas a partir dos 4 anos de idade foram incluídas.  O declínio do fumo passivo não foi dramático entre negros não fumantes como foi entre brancos e mexicanos. A proporção de negros expostos à nicotina caiu de 94 para 71%, enquanto para brancos a queda foi de 83 para 43% e para mexicanos de 78 para 40%. Também preocupante é o fato de que as exposições para crianças não caíram tanto quanto para adultos. Mais de 60% das crianças de 4 a 11 anos foram expostas à nicotina de 1999 a 2004.  "Obviamente, a exposição acontece em casa", disse Thomas Glynn, diretor da Sociedade Americana do Câncer.  "Os pais precisam se conscientizar de que essa exposição é perigosa e de que eles precisam ter atitudes que garantam que suas crianças não sejam expostas ao cigarro", disse Pechacek.

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