Crise do Ebola deve fazer mortes por outras doenças dispararem

Crise do Ebola deve fazer mortes por outras doenças dispararem

Vírus desarticulou sistema de saúde de países afetados; vacinas experimentais estarão disponíveis no início de 2015, anuncia OMS

O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 10h08

LONDRES - As mortes por doenças infecciosas como malária, diarreia e pneumonia estão suscetíveis de subir nos países da África Ocidental onde a epidemia de Ebola desarticulou sistemas de saúde e matou médicos e enfermeiros.

Antes da crise do Ebola, a malária, por exemplo, matou cerca de 100 mil pessoas em um ano no oeste africano como um todo. Agora, especialistas afirmam que a doença pode quadruplicar as vítimas fatais nos países atingidos pelo Ebola por causa de pacientes que deixam de receber tratamento que poderia salvá-los.

De acordo com o professor Chris Whitty, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, "muito mais pessoas estão morrendo de outras coisas que não são Ebola".

À medida que a epidemia continua, as chamadas mortes "colaterais" - que incluem complicações no parto e doenças crônicas, como problemas no coração - crescerão, já que as clínicas e os profissionais de saúde estão sobrecarregados.

A presidente da ONG internacional Save the Children, Carolyn Miles, disse que há cerca de 2,5 milhões de crianças menores de cinco anos nas áreas afetadas pelo Ebola. Segundo ela, essas crianças sofrem um grande risco tanto da doença como do efeitos em cadeia, como o estresse psicológico causado pela morte de pais e parentes.

"Os serviços de saúde da África Ocidental desmoronaram", declarou o diretor da organização internacional Wellcome Trust, Jeremy Farrar. "Isso significa que o cuidado de mulheres em trabalho de parto, de pessoas com malária, diabete e doenças mentais está prejudicado. Isso vai ter consequências secundárias enormes muito além do Ebola, não importa o quão ruim essa epidemia se torne."

Vacinas em 2015. Milhares de vacinas experimentais contra o vírus Ebola, feitas pelos laboratórios britânico GSK e norte-americano NewLink Genétics, estarão disponíveis no início de 2015, informou nesta sexta-feira, 26, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"GSK fabricará 10 mil doses para o início do próximo ano", disse a vice-diretora da OMS, Marie-Paule Kieny.

Em relação ao soro ZMapp - que ainda não foi testado clinicamente, mas que tem sido dado a várias pessoas infectadas pelo Ebola -, a OMS afirmou que os estoques estão esgotados. "Estarão disponíveis antes do fim do ano algumas centenas de doses", declarou Marie-Paule.

A OMS autorizou em setembro a utilização de terapias baseadas em sangue e soro dos convalescentes nos países afetados. "A transfusão começou em pequena escala", disse a vice-diretora da OMS.

"A mobilização atual permitirá o desenvolvimento de medicamentos e vacinas promissoras, embora ainda não se saiba se servirão", acrescentou Marie-Paule.

O Ebola já causou quase 3 mil mortes entre mais de 6 mil infectados./AFP E REUTERS

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