Crise financeira faz Santa Casa suspender 25 tipos de exames

Decisão do laboratório do hospital inclui de verificação de anemia a nível de colesterol; provedor da instituição diz que 'não falta nada'

SÉRGIO QUINTELLA, O Estado de S. Paulo

17 Novembro 2014 | 02h01

SÃO PAULO - A crise financeira fez a Santa Casa interromper a realização de exames na semana passada. A decisão foi informada pelo Laboratório Central da instituição por e-mail para todos os setores do hospital e atingiu 25 tipos de análises, que não poderiam ser feitos por falta de material.

Entre os procedimentos afetados estão coletas de sangue para a verificação de anemia, a deficiência de cortisol e até mesmo o nível de colesterol. No guichê do laboratório, a atendente informou à Radio Estadão que não há previsão para a normalização do atendimento.

A reportagem da Rádio Estadão procurou o novo superintendente da Santa Casa, Irineu Massaia, mas ele não quis comentar a suspensão dos procedimentos. Afirmou apenas que precisa reorganizar a instituição. A Secretaria Estadual de Saúde informou que só se manifestaria depois da conclusão da auditoria que está sendo feita na Santa Casa.

A crise financeira já fez o hospital - o maior hospital filantrópico da América Latina - fechar seu pronto-socorro em julho. O provedor da Santa Casa, Kalil Rocha Abdalla, negou a falta de materiais, medicamentos e exames. "Aqui na Santa Casa está tudo sendo realizado. Não está faltando nada, está tudo em ordem", afirmou.

De acordo com o médico Arnaldo Lichtenstein, clínico-geral do Hospital das Clínicas (HC), que teve acesso à lista de exames suspensos, "ninguém vai morrer pela falta de exames". Ele afirmou, no entanto, que os diagnósticos ficarão mais demorados. "A coisa é provisória. Em alguns casos o paciente pode sofrer um pouco mais, pois pode atrasar o diagnóstico de algumas doenças."

Materiais. A reportagem ouviu funcionários que disseram que há também falta de materiais e medicamentos, como agulhas, seringas, toalha de papel e antibióticos. Contaram ainda que são obrigados a improvisar materiais. "Às vezes a gente precisa adaptar um material que é muito mais caro, como o 'papagaio' para homem urinar. A gente adapta um coletor de sonda de aspiração, que é recortado e usado", disse um funcionário.

Ao ser informado do depoimento, o provedor da Santa Casa disse que "isso é conversa".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.